A decisão da escola de samba carioca Acadêmicos de Niterói de homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026 reacendeu o debate sobre a relação entre chefes de Estado e a maior festa popular do Brasil. O evento foi marcado pela representação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um palhaço e por homenagens ao PT e a Lula.
Desde a redemocratização, em 1985, somente 2 casos envolvendo chefes de Estado brasileiros haviam ganhado repercussão nacional por episódios rumorosos no contexto do Carnaval. O desfile de domingo (15.fev.2026) levou a oposição a levantar críticas quanto a uma suposta “propaganda eleitoral antecipada” e “intolerância religiosa”, ao representar conservadores em “conserva”, ou seja, como indivíduos que não avançam com as mudanças sociais.
Confira os casos levantados pelo Poder360:
O caso mais emblemático foi em 1994, quando o então presidente Itamar Franco foi fotografado em um camarote do Sambódromo do Rio ao lado da modelo Lilian Ramos, que apareceu sem roupa íntima aparente.
A imagem estampou capas de jornais, provocou constrangimento institucional e entrou para a história política como o episódio mais conhecido envolvendo um chefe de Estado brasileiro no ambiente formal dos desfiles de Carnaval.
À época, Itamar reagiu defensivamente às críticas e minimizou o episódio. Disse que não havia cometido irregularidade e afirmou que estava em um momento de lazer e não via motivo para o escândalo.
A repercussão se intensificou e chegou a haver menções à abertura de um processo de impeachment, que não avançou.
Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 2019, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou em suas redes sociais um vídeo de conteúdo sexual explícito gravado durante eventos carnavalescos. O vídeo mostrava um homem urinando sobre o outro.
Segundo Bolsonaro, as imagens foram filmadas em um bloco de Carnaval de rua. Às 23h20 de 5 de março de 2019, a postagem tinha ao menos 1 milhão de visualizações.
“Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no Carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões”, escreveu ao publicar o vídeo.
Tempo depois, Bolsonaro voltou às redes sociais perguntando “o que é golden shower?”, expressão usada para descrever a prática exibida no vídeo, o que ampliou a repercussão do caso e gerou críticas de congressistas, advogados e entidades da sociedade civil.
Apesar de o caso não ter sido no Sambódromo, a associação direta com o Carnaval colocou Bolsonaro no centro de atritos políticos, com repercussão nacional e internacional.
Leia abaixo os destaques do desfile:
Políticos e partidos de oposição a Lula foram à Justiça nos últimos dias:
A escolha do enredo não foi a única controvérsia protagonizada pela agremiação fluminense. O Poder360 mostrou, em 5 de fevereiro, que o presidente da escola, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
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