• Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Adolescência eterna: estudo sugere que fase se estende até os 32 anos

Cientistas mapeiam quatro grandes fases de transformação neural que prolongam a adolescência e reorganizam o cérebro ao longo da vida

A adolescência dura muito mais tempo do que se imaginava. Uma nova pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisou quase 4 mil exames de ressonância magnética e identificou que as típicas desse período só chegam ao fim por volta dos 32 anos. O trabalho, publicado na revista, descreve cinco grandes fases da vida neural, marcadas por mudanças profundas nas conexões do cérebro. A equipe mapeou o desenvolvimento cerebral de pessoas de até 90 anos usando técnicas que rastreiam o movimento de moléculas de água no tecido nervoso. Esse método permite visualizar como as redes de comunicação se reorganizam e como cada etapa molda , personalidade e vulnerabilidades a diferentes condições de saúde. As grandes viradas do cérebro humano Segundo os autores, a primeira era, chamada de fase infantil, vai do nascimento aos nove anos. Nesse período, o cérebro passa por intensa reorganização, eliminando sinapses pouco usadas e fortalecendo conexões mais ativas. Esse refinamento prepara a estrutura neural para mudanças cognitivas que virão a seguir. Por volta dos nove anos ocorre a primeira grande inflexão. A partir desse marco, o cérebro entra no que os pesquisadores definem como adolescência, fase em que a substância branca cresce em volume e as redes de comunicação se tornam mais eficientes. É justamente essa eficiência crescente que garante avanços importantes em raciocínio, atenção e velocidade de processamento. Leia também De acordo com a neurocientista Alexa Mousley, coautora da pesquisa, essa etapa é marcada por grandes transformações. Em comunicado, ela explica que é a única fase da vida em que a eficiência neural aumenta de modo contínuo, o que ajuda a explicar por que esse período é tão determinante para a cognição. Quando começa a fase adulta Por volta dos 32 anos ocorre o ponto de virada mais intenso de toda a vida, quando as conexões mudam de direção e a arquitetura neural assume um padrão mais estável. É o início da fase adulta, considerada a mais longa. Entre os 30 e os 60 anos, o cérebro apresenta poucas alterações estruturais e mantém um desempenho mais uniforme. Aos 66 anos surge o terceiro marco, que inaugura o envelhecimento inicial. Nessa etapa, a substância branca começa a perder integridade e a comunicação entre regiões cerebrais fica mais lenta. A partir dos 83 anos, o estudo identifica o período de envelhecimento tardio, quando a conectividade diminui ainda mais e o cérebro passa a depender de rotas específicas para manter funções essenciais. O professor Duncan Astle, um dos autores do estudo, afirma que entender essas eras ajuda a identificar momentos de maior vulnerabilidade. Ele lembra que muitas condições neurológicas e psiquiátricas têm relação direta com a forma como o cérebro se conecta. Por isso, saber quando essas redes mudam mais intensamente pode orientar tratamentos e políticas de saúde ao longo da vida. Siga a editoria de e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
Por: Metrópoles

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