• Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Após críticas, Filipe Luís nega relativizar racismo contra Vini Jr.

Técnico diz que fala em coletiva da Conmebol abriu margem para “interpretações distintas”. Leia a nota na íntegra no Poder360.

O técnico do Flamengo, Filipe Luís, publicou uma nota nesta 6ª feira (20.fev.2026) para explicar declarações dadas após a derrota para o Lanús, pela Recopa Sul-Americana, na 5ª feira (19.fev.2026). O treinador foi alvo de críticas por uma resposta dada em entrevista a jornalistas na Argentina, na qual foi questionado sobre novos relatos de racismo contra o atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid.

Questionado por um repórter argentino, Filipe tratou o episódio como “caso isolado”, embora Vini Jr., ex-Flamengo, venha sendo constantemente alvo de ofensas racistas na Europa. No comunicado desta 6ª feira (20.fev), o técnico do Flamengo admitiu que sua fala pode ter dado margem a interpretações de que ele estaria minimizando a gravidade do caso. “Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista”, afirmou.

O episódio aconteceu no Estádio da Luz, em Lisboa. Após marcar um gol em partida contra o Benfica, pela Champions League, Vinícius comemorou próximo à torcida e, segundo relato, teria sido chamado de “mono” (macaco, em espanhol). O árbitro François Letexier acionou o protocolo antirracismo, e o jogo ficou paralisado por cerca de 10 minutos.

Filipe Luís reforçou que o racismo deve ser tratado com rigor criminal em todos os países, e não apenas no Brasil. Destacou que, antes mesmo do início da partida contra o Lanús, já havia criticado a atitude do jogador que ofendeu Vini Jr., chamando de “covarde” a estratégia de tapar a boca para evitar o flagrante de leitura labial.

“Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse”, diz trecho da nota. O técnico reiterou seu apoio total ao jogador brasileiro e cobrou punições severas para que episódios do tipo não passem impunes.

Com a nota, o Flamengo busca encerrar o desgaste de imagem do seu treinador, alinhando o discurso da comissão técnica ao posicionamento institucional do clube em defesa de seus ex-atletas e contra a discriminação no esporte.

Leia a íntegra da nota de Filipe Luís:

“Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.

“Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.

“Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.

“Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.

“Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.

Filipe Luís

Técnico do Clube de Regatas do Flamengo”

Por: Poder360

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