Bezerro alcança R$ 3.365/cab, mas valorização segue abaixo da atingida no ciclo de alta anterior
Mesmo com preços recordes na reposição, ritmo de valorização é mais moderado que em 2021 e aponta para um ciclo mais sustentável — e possivelmente mais duradouro — na pecuária brasileira; Bezerro a R$ 3.365/cab indica valorização mais longa
Mesmo com preços recordes na reposição, ritmo de valorização é mais moderado que em 2021 e aponta para um ciclo mais sustentável — e possivelmente mais duradouro — na pecuária brasileira; Bezerro a R$ 3.365/cab indica valorização mais longa O mercado de reposição voltou ao centro das atenções em 2026. Os dados mais recentes mostram que o preço do bezerro segue renovando máximas históricas, atingindo R$ 3.365,52 por cabeça em Mato Grosso do Sul, conforme levantamento da Scot Consultoria. Ainda assim, apesar dos recordes nominais, a intensidade da alta atual permanece inferior à registrada no último grande ciclo de valorização da pecuária. Essa combinação — preços elevados, porém com valorização mais gradual — reforça uma leitura importante: o ciclo atual tende a ser mais longo e menos explosivo, o que pode trazer impactos relevantes na estratégia dos pecuaristas. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Recordes históricos, mas com comportamento diferente Os dados do Cepea mostram que o bezerro iniciou 2026 consolidando um novo patamar de preços. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, a cotação já supera R$ 3.297/cab no indicador Cepea, enquanto em São Paulo gira acima de R$ 3.160/cab, evidenciando um mercado firme em praticamente todas as praças. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Segundo análise do Farmnews, o preço do bezerro segue renovando máximas em 2026 e já superou os recordes anteriores, inclusive os observados no início do ano. No entanto, o comportamento do ciclo atual difere do anterior. Em 2021, auge da última fase de alta, o bezerro chegou a registrar valorização superior a 70% na comparação anual. Já no ciclo atual, o avanço máximo ficou pouco acima de 40% em 2025, indicando um ritmo mais moderado. Na prática, isso significa que o mercado sobe, mas sem “picos explosivos” — e tende a permanecer firme por mais tempo.Oferta apertada sustenta preços do bezerro e reforça tendência Um dos principais motores dessa valorização é a oferta restrita de bezerros. O movimento de descarte elevado de fêmeas nos últimos anos começa a refletir diretamente na reposição. De acordo com análise da Agrifatto, a liquidação de fêmeas desde 2022 reduziu a produção de bezerros, criando um ambiente de menor oferta e sustentação dos preços . Além disso, o próprio mercado confirma essa dinâmica. Negócios já ultrapassam:
R$ 20/kg em algumas praças R$ 3.000 por cabeça com frequência crescente Esse cenário reforça o papel do bezerro como indicador antecipado do ciclo pecuário, sinalizando mudanças estruturais antes mesmo de aparecerem nos dados consolidados.
Alta menor pode significar ciclo mais longo Apesar do entusiasmo com os preços recordes, especialistas alertam que o mercado ainda não atingiu seu potencial máximo em termos reais. Segundo a Agrifatto, mesmo com os valores atuais, o preço do bezerro ainda está cerca de 13,8% abaixo do pico real histórico (corrigido pela inflação) registrado em 2021 . Além disso, há projeções de continuidade da valorização:
“O bezerro costuma dobrar de preço a cada fase de alta. Em um cenário conservador, pode atingir novos picos até 2027”, apontam analistas da Agrifatto . Essa leitura reforça a tese de um ciclo mais “esticado”, com ganhos distribuídos ao longo do tempo — e não concentrados em poucos meses. Onde está o bezerro mais caro e o mais barato no Brasil Os dados da Scot Consultoria evidenciam uma grande variação regional nos preços da reposição: Mais caro do país (dados recentes):
Mato Grosso do Sul (MS) — R$ 3.365,52/cab (bezerro) Também com destaque: São Paulo e Mato Grosso com valores elevados e forte demanda Mais barato entre as praças monitoradas: Estados do Norte e parte do Nordeste apresentam preços mais baixos, refletindo menor pressão de demanda e maior disponibilidade relativa No recorte da tabela:
MS lidera com R$ 3.365,52/cab e R$ 17,26/kg Estados como RO, AC e MA aparecem com valores significativamente menores Essa diferença regional evidencia oportunidades de arbitragem, principalmente para recriadores e confinadores que conseguem operar entre diferentes praças. Curto prazo deve trazer estabilidade — mas sem reversão Mesmo com o cenário estrutural positivo, o comportamento sazonal do mercado indica uma possível acomodação no curto prazo. De acordo com o Farmnews, “O preço do bezerro tende a ficar mais estável entre abril e maio, voltando a ganhar força nos meses finais do ano”. Esse movimento acompanha o padrão histórico da pecuária: Pressão de safra no primeiro semestre Recuperação no segundo semestre Forte valorização no final do ano Ou seja, não se trata de reversão de tendência, mas de ajuste pontual dentro de um ciclo de alta. Para Thiago Pereira, Diretor de Conteúdo do Compre Rural, o momento exige leitura estratégica por parte do produtor: “O mercado está mostrando um comportamento diferente do ciclo anterior. A alta existe, mas é mais distribuída. Isso muda completamente a tomada de decisão: quem entender esse novo ritmo pode capturar valor por mais tempo, enquanto decisões precipitadas podem comprometer margens.” O que esperar daqui pra frenteO cenário atual aponta para três pilares que devem sustentar o mercado: Oferta restrita de bezerros, reflexo do abate elevado de fêmeas até 2025 Demanda aquecida pela reposição, com confinamento retomando força Exportações firmes, sustentando o boi gordo e puxando a cadeia Diante disso, a principal leitura do mercado é clara:
Por: Redação





