• Terça-feira, 14 de abril de 2026

Café conilon ganha força em Minas Gerais impulsionado pela indústria de solúvel

Apesar do cenário promissor e de mais de 660 municípios mineiros terem aptidão para o plantio, o cultivo exige investimento

O café conilon não é mais apenas um coadjuvante na cafeicultura mineira. Impulsionado pela crescente demanda da indústria de café solúvel e pela sua capacidade de adaptação a climas mais quentes, a espécie se tornou a que mais cresce proporcionalmente no estado. Em 2025, Minas Gerais colheu 584 mil sacas, um salto de 50% em comparação ao ano anterior.

O movimento em Minas acompanha um fenômeno nacional: o Brasil atingiu o recorde histórico de 20,8 milhões de sacas de conilon no último ano, consolidando a espécie como pilar de resiliência para o agronegócio frente às mudanças climáticas.

O principal motor dessa expansão é o rendimento. O conilon possui maior concentração de sólidos solúveis, o que o torna a matéria-prima preferida para cafés instantâneos e bebidas prontas. Com o consumo em alta na Ásia e na Europa, o setor de solúvel gerou uma receita cambial de US$ 1,1 bilhão para o Brasil em 2025.

Em solo mineiro, as exportações do produto também subiram. Embora o volume seja menor que o do arábica, o faturamento com o solúvel em Minas cresceu 26%, alcançando US$ 68 milhões.

Diferente do café arábica, que exige altitudes elevadas e temperaturas amenas, o conilon prospera em áreas de transição. Segundo Ana Carolina Gomes, analista do Sistema Faemg Senar, o cultivo avança por regiões como:

"Com temperaturas mais elevadas e menor altitude, essas áreas apresentam maior aptidão para o cultivo, especialmente com o uso de irrigação", explicou a analista.

A eficiência do conilon no campo é um dos seus maiores atrativos. Enquanto o arábica produz entre 20 e 40 sacas por hectare, o conilon alcança facilmente a marca de 40 a 80 sacas, podendo superar 100 sacas em sistemas irrigados. Em 2025, a produtividade média em Minas foi de 53 sacas por hectare, com previsão de nova alta para 2026.

Além disso, a espécie sofre menos com a bienalidade (alternância entre safras grandes e pequenas) e tem aproveitado a valorização nas cotações internacionais, motivada por quebras de safra em grandes produtores mundiais, como Vietnã e Indonésia.

“É importante destacar que o conilon não substitui o arábica, mas complementa a produção. Em muitas propriedades mineiras, produtores têm adotado sistemas híbridos, combinando as duas espécies para reduzir riscos climáticos e diversificar a renda. A estratégia também permite utilizar o conilon em áreas menos aptas ao arábica, fortalecendo a sustentabilidade econômica das fazendas”, ressaltou Ana Carolina.

Apesar do cenário promissor e de mais de 660 municípios mineiros terem aptidão para o plantio, o cultivo exige investimento. Para garantir o sucesso da lavoura, o produtor precisa focar em:

Atualmente, o conilon representa 2% da produção total de café em Minas Gerais, mas com uma expansão de 67% na área plantada no Leste mineiro nos últimos cinco anos, a espécie se firma como uma estratégia vital para a diversificação de renda e mitigação de riscos climáticos nas fazendas do estado.

Por: Redação

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