• Quarta-feira, 18 de março de 2026

Caiado diz que Goiás será parceiro dos EUA, e não só fornecedor

Ao assinar acordo com os Estados Unidos para exploração de minerais críticos, governador compara Goiás ao Pará e defende atuação na cadeia produtiva.

O governador e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta 4ª feira (18.mar.2026) que, com o acordo sobre cooperação em minerais críticos e terras-raras, assinado em conjunto com os Estados Unidos, “Goiás deixa de ser apenas um Estado que fornece matéria-prima, como, por exemplo, o Pará”. Classificou a relação como uma parceria.

O memorando de entendimento foi assinado nesta 4ª feira (18.mar) no consulado norte-americano, em São Paulo. Trata-se de um documento sem instrumento juridicamente vinculante e, por isso, foi descrito como “declaração de intenções de boa-fé” pelo comunicado do governo goiano.

Caiado categorizou o acordo como “o mais importante” já assinado “em toda a história do Estado de Goiás”, do ponto de vista geoeconômico.

A assinatura se antecipa ao governo federal que, desde 2025, realiza tratativas com o lado norte-americano para o fornecimento de minerais críticos, mas sem chegar a um resultado. O Brasil tem a 2ª maior reserva global de terras raras no mundo, atrás apenas da China, que monopoliza o setor.

Em visita à Índia em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brasil precisa aproveitar suas reservas para impulsionar a indústria nacional. “Nós não queremos apenas exportar matéria-prima. Queremos produzir aqui e gerar emprego aqui”, declarou.

Segundo o Consulado Geral dos EUA, o memorando assinado é relacionado à pesquisa, capacitação e a um ambiente regulatório transparente e competitivo. Também visa a  estimular parcerias entre instituições governamentais, acadêmicas e do setor privado e apoiar o desenvolvimento de processamento e manufatura de maior valor agregado em Goiás.

Questionado sobre a efetividade do documento, Caiado destacou o levantamento do potencial mineral do território e pesquisas junto a universidades para o desenvolvimento de tecnologias.

A nota do governo do Estado de Goiás, ao qual o Poder360 teve acesso, cita ainda a previsão de “negociação de incentivos fiscais e financeiros para projetos que demonstrem compromisso com produção local, geração de emprego e transferência de tecnologia”.

Goiás concentra a única operação de mineração de terras-raras ativa no território brasileiro, localizada em Minaçu, e a única empresa que produz os minerais em funcionamento no país, a Serra Verde.

A mineradora pertence aos grupos de private equity Denham Capital e EMG (Energy and Minerals Group), com sede nos EUA, e Vision Blue, com sede no Reino Unido e anunciou em fevereiro que um fundo estatal norte-americano lhe garantiu US$ 565 milhões em financiamento.

As terras-raras são consideradas insumos estratégicos para a transição energética e digital. São utilizadas na fabricação de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, chips e equipamentos militares. A disputa global por esses minerais tem aumentado nos últimos anos, sobretudo em meio à rivalidade comercial e tecnológica entre EUA e China.

Por: Poder360

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