• Segunda-feira, 16 de março de 2026

Capim-capeta invade pastagens e pode derrubar produtividade da pecuária em até 40%

Planta invasora se espalha rapidamente pelo país, reduz a capacidade de lotação das pastagens em até 40% e pode causar perdas econômicas superiores a R$ 3 mil por hectare ao ano; Mas da para erradicar o capim-capeta, veja!

Planta invasora se espalha rapidamente pelo país, reduz a capacidade de lotação das pastagens em até 40% e pode causar perdas econômicas superiores a R$ 3 mil por hectare ao ano; Mas da para erradicar o capim-capeta, veja! A expansão de plantas daninhas nas áreas de pastagem tem se tornado um dos desafios silenciosos da pecuária brasileira. Entre elas, o capim-capeta (Sporobolus spp.) vem ganhando destaque por sua agressividade e pela capacidade de comprometer rapidamente a produtividade das áreas destinadas à criação de bovinos. Especialistas alertam que a infestação dessa planta pode reduzir em até 40% a capacidade de lotação das pastagens, afetando diretamente a produção de carne e leite no país. Além do impacto na produção, a presença do capim-capeta também pode desvalorizar propriedades rurais e tornar áreas produtivas economicamente inviáveis, caso o problema não seja identificado e controlado a tempo. O avanço da espécie ocorre de forma silenciosa e muitas vezes passa despercebido nos estágios iniciais, mas tende a se intensificar rapidamente quando encontra condições favoráveis, como pastagens degradadas ou com falhas de cobertura vegetal.
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  • Impacto direto na rentabilidade da pecuária Os efeitos econômicos da infestação podem ser expressivos. Em uma propriedade com capacidade original de 2,0 unidades animais por hectare (UA/ha), por exemplo, a presença do capim-capeta pode reduzir a capacidade produtiva em até 0,8 UA/ha. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Quando se considera um cenário médio de produção — com preço da arroba em torno de R$ 250,00 e produção anual estimada de 16 arrobas por unidade animal — a perda chega a aproximadamente 12,8 arrobas por hectare ao ano. Em termos financeiros, isso representa cerca de R$ 3.200,00 de receita perdida por hectare anualmente. Esse impacto ganha proporções ainda maiores quando se observa a dimensão da pecuária nacional. De acordo com estimativas da Embrapa, o Brasil possui cerca de 213,7 milhões de bovinos, e aproximadamente 90% da carne produzida no país é oriunda de sistemas baseados em pastagens. Atualmente, cerca de 160 milhões de hectares de pastos sustentam mais de 200 milhões de animais, evidenciando o papel central da qualidade das pastagens na produtividade da pecuária brasileira. Alta capacidade de disseminação preocupa produtores Um dos fatores que tornam o capim-capeta tão preocupante é sua extraordinária capacidade de disseminação. Segundo especialistas, uma única touceira pode produzir até 200 mil sementes por ano, que permanecem viáveis no solo por até dez anos.
    Pastagem após aplicação do Targa Max HT da IHARA
    Além disso, essas sementes possuem grande facilidade de transporte. Elas podem se espalhar por meio de pneus de máquinas agrícolas, equipamentos de campo, fezes de animais e até pela água da chuva, o que favorece a colonização de novas áreas em diferentes regiões. De acordo com Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, a expansão da planta costuma ocorrer rapidamente quando as condições são favoráveis. “ Em três a quatro anos, o capim-capeta pode dominar grandes extensões, especialmente em pastagens degradadas ou com falhas de cobertura vegetal. Embora não seja a causa inicial da degradação, essa planta daninha é uma consequência direta do manejo inadequado e, uma vez instalada, torna-se um agravante importante, dificultando a recuperação da área”, explica. Ou seja, o problema não surge isoladamente. Ele normalmente aparece como resultado de falhas no manejo da pastagem, mas passa a atuar como um fator agravante que acelera o processo de degradação das áreas produtivas. Controle exige manejo estratégico e uso de tecnologia Diante desse cenário, especialistas destacam que o controle do capim-capeta exige planejamento, monitoramento constante e adoção de tecnologias adequadas. O manejo tradicional muitas vezes não é suficiente para impedir o avanço da planta, principalmente em áreas já comprometidas. Segundo Iuri Cosin, engenheiro agrônomo e gerente de produtos Herbicidas da IHARA, o momento exige que o pecuarista adote práticas mais modernas no campo. “O momento demanda a modernização das práticas no campo, com a incorporação de tecnologias que ainda não apresentam resistência e entregam maior eficácia no controle”, ressalta. Entre as soluções disponíveis no mercado, o herbicida pós-emergente Targa Max HT, da IHARA, aparece como uma ferramenta específica para o controle da planta daninha em pastagens. O produto é atualmente o único herbicida com registro para controle do capim-capeta em áreas de pasto, sendo pioneiro nessa indicação. De acordo com a empresa, a formulação moderna do produto dispensa o uso de adjuvantes ou óleo mineral, além de apresentar boa seletividade às espécies forrageiras utilizadas nas pastagens. Ensaios conduzidos ao longo de 2025 por instituições como UNEMAT, HERBAE e Embrapa apontaram resultados consistentes no controle da planta daninha, com eficácia observada em diferentes regiões produtoras do país. Pastagens saudáveis são base da pecuária brasileira O avanço do capim-capeta reforça um ponto crucial para a pecuária nacional: a qualidade das pastagens é o principal pilar da produção de carne e leite no Brasil. Investir em manejo adequado, monitoramento constante e tecnologias de controle não significa apenas combater uma planta invasora, mas preservar a base produtiva de todo o sistema pecuário. Pastos bem manejados garantem melhor capacidade de lotação, maior ganho de peso dos animais e maior eficiência produtiva, fatores diretamente ligados à rentabilidade da atividade. Como destaca Gustavo Corsini, cuidar da pastagem é investir na sustentabilidade econômica da pecuária brasileira.
    Por: Redação

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