De olho em um mercado que movimenta bilhões de dólares e exige rigor absoluto, a indústria frigorífica de Mato Grosso intensificou sua aposta no sistema Halal. Atualmente, o estado já concentra 29 das 145 plantas certificadas no Brasil, consolidando-se como peça-chave no fornecimento de carne bovina para o mundo muçulmano.
O termo "Halal" significa permitido e designa produtos que seguem as leis islâmicas. Para Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país, a certificação é mais do que um selo religioso: é um passaporte para mercados de alto valor agregado e países estrategicamente posicionados no comércio global.
O processo para garantir a integridade da carne conforme os preceitos do Islã é minucioso e começa antes mesmo do abate.
A infraestrutura para atender essa demanda está espalhada por 22 municípios mato-grossenses, incluindo polos como Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Tangará da Serra. Essa rede de logística permite que a carne chegue a destinos como:
Nesses países, a proteína brasileira é protagonista em pratos tradicionais, sendo consumida majoritariamente de forma grelhada, cozida ou em ensopados.
Para o setor produtivo, o investimento em certificação reflete diretamente na rentabilidade. A carne Halal é vista como um produto premium, permitindo que Mato Grosso não dispute apenas por volume, mas por qualidade e conformidade internacional.
"O mercado halal é estratégico e vem crescendo de forma consistente. Isso abre portas e aumenta a rentabilidade de toda a cadeia produtiva", afirmou Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
Ao fortalecer a presença no mercado muçulmano, Mato Grosso reafirma sua posição como líder global, transformando tradição religiosa em oportunidade de desenvolvimento econômico para o estado.





