Os preços de açúcar, café e óleo de soja foram os que registraram maior queda em março dentre os alimentos que compõem a cesta básica na maioria das capitais brasileiras na comparação com fevereiro. Mesmo com a redução verificada para estes três produtos, o custo do conjunto dos alimentos básicos teve alta nas 27 capitais.
Os dados fazem parte da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a março de 2026, realizada pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Neste ano, os três produtos apresentaram comportamento de queda nos preços desde janeiro. No caso do açúcar, o preço médio foi menor em 19 cidades, com destaque para os percentuais de Goiânia (-4,91%), Curitiba (-4,70%) e Belo Horizonte (-4,52%). A redução ocorre mesmo em período de entressafra, diante da projeção de maior oferta de açúcar pela alta produção no Brasil e em outros países como Tailândia e Índia, refletindo na diminuição das cotações no varejo.
Segundo o estudo, os preços do café em pó foram menores em 17 capitais, com destaque para a redução de 3,16% verificada no Rio de Janeiro e de 2,55% em Belo Horizonte. Conforme análise da Superintendência de Gestão da Oferta (Sugof) da Companhia, a perspectiva da recuperação da oferta global do grão, diante da expectativa de uma safra recorde no Brasil e da boa colheita registrada no Vietnã no ciclo 2025/26, tem influenciado os preços do produto nas bolsas internacionais e, por consequência, no mercado doméstico.
No caso do óleo de soja, as cotações reduziram em 16 das 27 capitais analisadas, sendo a maior variação negativa de 2,78%, registrada em Rio Branco. Ainda com base nas análises da Sugof, a intensificação da colheita de uma safra recorde eleva a oferta da oleaginosa no mercado, refletindo nos preços praticados no varejo.
Já ao considerar toda a composição da cesta, entre fevereiro e março, todas as capitais tiveram aumento no valor, com as elevações mais importantes ocorrendo em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%).
Dentre as elevações, destaque para o tomate. O alimento aumentou em todas as cidades e as elevações ficaram entre 0,72%, em São Luís, e 46,92%, em Maceió. A menor oferta e a perda de parte da colheita pelas chuvas explicaram as altas.
As chuvas também trouxeram impactos na colheita da batata, reduzindo a oferta do tubérculo. O preço do alimento aumentou em todas as cidades do Centro-Sul (cidades onde o tubérculo compõe o conjunto básico alimentício), entre fevereiro e março. As elevações oscilaram entre 5,54%, em Belo Horizonte, e 22,24%, em Vitória.
Já as cotações do feijão subiram em todas as praças analisadas, com oscilações entre 1,68% em Curitiba e 21,48% em Belém. A alta nos preços da leguminosa pode ser explicada por dificuldades na colheita, aliada a uma redução da área semeada na primeira safra e ainda pela expectativa de menor produção na segunda safra.





