• Domingo, 5 de abril de 2026

Crítica de Lula e vinho na cara de Serra: saiba quem é Kátia Abreu

Ex-senadora disse em 2008 que petista distorcia informações sobre o agro. Agora se filiou ao PT.

A ex-senadora Kátia Abreu oficializou neste sábado (4.abr.2026) sua filiação ao PT. O movimento consolida a reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após anos de críticas públicas. A mudança marca uma transição em sua trajetória, antes associada às principais vozes do agronegócio no Congresso.

O PT quer reforçar o diálogo com o agro. Kátia afirmou que pretende atuar pela reeleição de Lula, de quem já foi adversária nos anos 2000.

No início de sua vida política, Kátia Abreu teve momentos de forte oposição a Lula, especialmente nos anos 2000, quando atuava como uma das principais vozes da bancada ruralista no Congresso.

Em 2008, a então senadora criticou duramente Lula e seu governo. Afirmava que o petista distorcia informações sobre o agro. À época, sua atuação a colocava em rota de colisão com pautas defendidas pela esquerda, especialmente nas áreas ambiental e fundiária.

Com o passar dos anos, principalmente durante o governo de Dilma Rousseff (PT), Abreu iniciou um processo de aproximação com Lula. Em 2022, por exemplo, atuou como aliada da candidatura do atual presidente, apoiando o petista no Tocantins e nacionalmente.

A filiação da ruralista ao PT, oficializada neste sábado (4.abr), é vista como parte da estratégia de ampliação da base política em torno do governo Lula e da articulação para as eleições.

A mudança também reforça a tentativa de diálogo entre o governo e o agronegócio, setor no qual Abreu segue sendo uma figura influente.

Em 2015, Kátia Abreu protagonizou um dos episódios mais conhecidos de sua trajetória ao jogar uma taça de vinho no então senador José Serra (PSDB), durante um jantar em Brasília. Após uma troca de provocações, em que Serra teria feito um comentário considerado desrespeitoso, Kátia reagiu e lançou o vinho no tucano.

O episódio teve grande repercussão e reforçou sua imagem de política combativa e de respostas diretas a adversários.

Em 2010, Abreu recebeu o prêmio “Motosserra de Ouro”, concedido por organizações como o Greenpeace a personalidades consideradas adversárias da agenda ambiental. A premiação é simbólica e costuma destacar políticos e empresas associados a práticas vistas como prejudiciais ao meio ambiente. No caso de Kátia, o reconhecimento negativo refletiu sua atuação firme em defesa dos interesses do setor rural e críticas a políticas ambientais consideradas restritivas pelo agronegócio.

Nascida em Goiânia (GO), Kátia Abreu construiu carreira como pecuarista no Tocantins e ganhou projeção ao liderar entidades do setor agropecuário, como a Federação da Agricultura do Estado e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Entrou na política institucional como deputada federal em 2002 e, 4 anos depois, foi eleita senadora, cargo que ocupou por 2 mandatos consecutivos, de 2006 a 2023.

Durante o governo Dilma, foi nomeada ministra da Agricultura (2015–2016), cargo em que ganhou projeção nacional e também enfrentou críticas de ambientalistas por sua atuação ligada ao agronegócio.

Ao longo da carreira, Abreu passou por diferentes legendas como DEM, MDB, PDT e Progressistas, refletindo um perfil político pragmático e com trânsito em diferentes campos ideológicos.

Nas eleições, em 2018, foi candidata a vice-presidente da República na chapa de Ciro Gomes. Já em 2022, tentou a reeleição ao Senado, mas não obteve sucesso, encerrando um ciclo de duas décadas no Congresso Nacional.

Por: Poder360

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