• Sábado, 14 de março de 2026

Dólar sobe a R$ 5,31 com guerra no Oriente Médio; Bolsa volta a cair

Petróleo segue em alta, enquanto investidores ajustam suas expectativas para decisões de juros.

O dólar comercial fechou com alta de 1,37% nesta 6ª feira (13.mar.2026), chegando a R$ 5,314, com a reação de investidores à escalada das tensões no Oriente Médio.

O aumento da aversão ao risco também contaminou a B3. O Ibovespa –principal índice da Bolsa brasileira– terminou o dia em queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos.

O petróleo mais caro aumenta os temores de inflação mais persistente e de juros elevados no mundo, o que reduz o apetite global por ativos de risco. O petróleo do tipo Brent operava em alta de 2,93%, aos US$ 103,40, às 17h45.

A valorização ocorre mesmo depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), autorizar uma nova rodada de compras de petróleo russo.

Relatos de que navios voltaram a circular pelo estreito de Ormuz —por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo— trouxeram alívio momentâneo para os preços da commodity durante a sessão.

Em seguida, Trump voltou a ameaçar o Irã. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que esta 6ª feira (13.mar) marcou os maiores ataques desde o início do conflito, ferindo o novo líder iraniano, Mojtaba Khamenei, sucesso de Ali Khamenei.

O BC (Banco Central) realizou pela manhã um “casadão” –intervenção conjunta no mercado de câmbio que combina a venda de dólares à vista com a compra de dólares no mercado futuro (swap reverso). A autarquia vendeu US$ 1 bilhão em dólares no mercado à vista e ofertou 20 mil contratos de swap cambial reverso, também equivalentes a US$ 1 bilhão.

A operação aumenta a liquidez em momentos de estresse no mercado, mas tende a ter efeito neutro sobre o câmbio, já que o BC vende dólares em uma ponta e compra em outra.

Além disso, o Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalentes a US$ 2,5 bilhões, em uma operação de rolagem dos contratos que vencem em 1º de abril.

Na prática, a autoridade monetária renova parte das operações que já estavam no mercado, evitando que esses contratos expirem de uma só vez. O instrumento funciona como uma forma de oferta de proteção cambial aos investidores, ajudando a reduzir oscilações no dólar sem a necessidade de usar as reservas internacionais.

O volume mais forte do setor de serviços no Brasil também contribui para a aversão ao risco no cenário local. O dado avançou 0,3% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal. O setor igualou o patamar recorde da série histórica iniciada em 2011. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta 6ª feira (13.mar.2026).

O setor de serviços é apontado pelo BC como um dos mais resilientes da economia brasileira, dificultando uma política monetária menos restritiva.

Investidores repercutiram novos indicadores nos Estados Unidos, além do conflito no Oriente Médio. O PCE (índice de preços de gastos com consumo) —medida de inflação preferida do Federal Reserve— subiu 0,3% em janeiro, em linha com as estimativas do mercado.

Na atividade econômica, os dados vieram mais fracos. O Produto Interno Bruto cresceu 0,7% no 4º trimestre, abaixo da expectativa de 1,5% e da estimativa preliminar anterior, que indicava alta de 1,4%.

Além disso, as vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos caíram mais do que o esperado em novembro, indicando desaceleração na demanda por mão de obra em meio ao cenário de incerteza econômica. A pesquisa também mostrou queda nas contratações, reforçando o sinal de arrefecimento no mercado de trabalho norte-americano.

O número de postos disponíveis recuou 303 mil, para 7,146 milhões no último dia do mês, de acordo com o relatório de emprego Jolts (Job Openings and Labor Turnover Survey).

Confira como as bolsas fecharam:

Esta reportagem foi produzida pela trainee em Jornalismo do Poder360 Camila Nascimento, sob a supervisão do editor Lucas Fantinatti.

Por: Poder360

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