• Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Eficiência operacional: a prova de que não existe “terra ruim” para produção

Enquanto o mercado de terra rural ainda associa produtividade à fertilidade do solo, exemplos globais mostram que gestão, tecnologia e mentalidade estratégica são os verdadeiros motores da alta performance no campo.

Enquanto o mercado de terra rural ainda associa produtividade à fertilidade do solo, exemplos globais mostram que gestão, tecnologia e mentalidade estratégica são os verdadeiros motores da alta performance no campo. Há décadas o mercado rural brasileiro é guiado por um mito: o de que terra boa é apenas aquela que naturalmente apresenta alta aptidão para produzir soja, milho ou sustentar grandes rebanhos. Quando pensamos em pecuária eficiente, por exemplo, é comum colocar o Brasil entre as principais referências globais. Afinal, solo fértil, abundância hídrica e clima favorável fazem parte da nossa realidade produtiva. Mas e se um país com solos pobres, baixa disponibilidade hídrica e desafios climáticos extremos conseguisse – com essa terra – atingir níveis de produtividade comparáveis ou até superiores aos nossos?
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  • Em conversa recente com um gerente comercial da Cargill, surgiu um exemplo emblemático: a Austrália, atualmente entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, com um rebanho estimado em cerca de 30 milhões de cabeças entre 2024 e 2025.window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});A principal explicação para esse desempenho está na aplicação rigorosa do conceito de eficiência. A pecuária australiana opera sob limitações naturais severas. Solos com baixa fertilidade, regimes de chuva restritos e forte controle sobre recursos hídricos obrigam o produtor a transformar cada decisão em um cálculo estratégico. Nesse contexto, medir, planejar e controlar cada etapa do processo produtivo deixa de ser diferencial e passa a ser questão de sobrevivência econômica. Essa cultura da eficiência absoluta é plenamente aplicável ao Brasil. O país já dispõe de recursos naturais privilegiados e acesso crescente à tecnologia. O que ainda falta, em muitos casos, é a disposição para investir em gestão orientada por dados e processos estruturados. No Chãozão, portal digital especializado na comercialização de imóveis rurais, observamos diariamente esse potencial. Atualmente, são mais de 10.000 propriedades anunciadas, com as mais diversas aptidões produtivas, muitas delas ainda subutilizadas. Um exemplo é a apicultura, setor com enorme capacidade de expansão e com ampla oferta de áreas adequadas, especialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais, que concentram mais da metade das propriedades com essa vocação produtiva. Na pecuária australiana, os resultados são potencializados pelo uso intensivo de tecnologia. Manejo milimétrico de pastagens, rodízios planejados com base em dados, ajustes frequentes de carga animal, monitoramento constante de ganho de peso, consumo hídrico e eficiência energética fazem parte da rotina produtiva. Ferramentas digitais acessíveis, como sensores, colares inteligentes e softwares de gestão, transformam dados em decisões operacionais mais assertivas. Outro fator determinante é a mudança de mentalidade. Fazendas são tratadas como empresas, com governança, planejamento estratégico e gestão profissionalizada, muitas vezes superando barreiras culturais e modelos tradicionais de administração familiar. Alta produtividade, portanto, não depende exclusivamente da qualidade natural da terra, mas sim da capacidade de aplicar método, tecnologia e gestão eficiente. O Brasil possui vantagens competitivas extraordinárias e potencial para ampliar ainda mais sua liderança global na produção agropecuária.
    Por: Redação

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