Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que descobriu a polilaminina, afirmou nesta 2ª feira (23.fev.2026) que ainda não encontrou a cura para as lesões medulares completas. Em entrevista ao programa “Roda Viva“, da TV Cultura, a cientista disse que é uma substância muito promissora, mas que para falar em descoberta de cura ainda é cedo.
“À medida que a pesquisa progride, vemos que os resultados também progridem. E temos resultados em alguns seres humanos que são surpreendentes. Então, tudo indica que estamos no caminho certo, mas ainda é uma pesquisa em andamento”, afirmou a pesquisadora.
O estudo preliminar –que ainda não tem revisão por pares– conduzido pela equipe de Tatiana contou com 8 pacientes com lesão medular completa. De acordo com os dados divulgados, 75% registraram algum nível de recuperação motora após a aplicação da substância.
A literatura científica, porém, indica que cerca de 10% dos pacientes com lesão aguda podem apresentar melhora espontânea, sem intervenção.
Dos 8 pacientes, 4 tiveram melhora parcial, 3 morreram e 1 caso destoou dos demais: o de Bruno Drummond, que voltou a andar após lesionar toda a cervical em um acidente de carro.
Tatiana afirmou que, embora o tratamento de Drummond tenha sido iniciado logo depois do acidente, não é possível afirmar que a rapidez na aplicação explique, por si só, o resultado mais expressivo. Segundo ela, é possível supor que a intervenção precoce tenha contribuído para um desfecho mais favorável, mas não há como estabelecer relação direta de causa e efeito.
A polilaminina é a versão sintetizada em laboratório da laminina, proteína que o corpo humano produz em grandes quantidades durante a fase embrionária e que é extraída de placentas.
Em termos mais simples, a laminina atua na organização e no crescimento de tecidos neuronais, em especial dos axônios –“pontes biológicas” que permitem que impulsos elétricos circulem entre um neurônio e outro ou até um músculo. A transmissão elétrica é interrompida quando há uma lesão medular.
Se comprovada eficaz, a polilaminina, ao ser injetada no espaço onde houve o rompimento dos tecidos, permitirá “recriar” a ponte entre os neurônios localizados acima e abaixo da lesão. Assim, eles voltariam a se comunicar e restabeleceriam o fluxo de impulsos elétricos que comandam movimentos e sensações e transmitem informações como dor, temperatura e toque.
O medicamento ainda não possui registro e está na fase 1 do estudo clínico, liberado em 5 de janeiro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Para ter acesso ao tratamento, pacientes têm recorrido à Justiça.





