• Terça-feira, 7 de abril de 2026

Exportação de algodão paulista para a Índia dispara 160%

Em 2025, as transações entre São Paulo e o país indiano movimentaram cerca de 2 milhões de toneladas de produtos

O agronegócio paulista vive um momento de expansão acelerada no mercado asiático, com a Índia consolidando-se como o segundo maior destino comercial do setor no continente, atrás apenas da China. O grande protagonista desse avanço é o algodão, que registrou um crescimento exponencial de 160% nas exportações, saltando de 5 mil para 15 mil toneladas em apenas um ano.

Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) revelam que, em 2025, as transações entre São Paulo e o país indiano movimentaram cerca de 2 milhões de toneladas de produtos, gerando uma receita de US$ 906,5 milhões.

Embora o complexo sucroalcooleiro lidere a participação nas vendas (76,8%, somando US$ 696 milhões), o desempenho da cotonicultura chamou a atenção dos analistas. Para Marcella Wehrle, diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão (APPA), a excelência técnica e a sustentabilidade são os diferenciais que tornam o produto paulista altamente valorizado pela indústria têxtil indiana.

O CEO da VALIA Brazil, Peter H. Burdzik, reforçou que o estado se tornou um fornecedor confiável, mas alerta para a dinâmica do setor: "É um mercado que muda rápido; preço e questões geopolíticas influenciam diretamente o ritmo das exportações".

Além das trocas de mercadorias, São Paulo e Índia estreitam laços na área de ciência e tecnologia. Em setembro de 2025, pesquisadores da APTA participaram do Brazil-India Agri Innovation Day, em Nova Delhi, com foco em conectar ecossistemas de inovação.

"A Índia detém cerca de 11% da produção mundial de alimentos. O propósito da missão é aproximar startups brasileiras e indianas para desenvolverem soluções conjuntas", afirmou Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA.

O intercâmbio visa fortalecer o APTAHub, aproveitando que a Índia é o quarto maior mercado de startups do mundo. Segundo Sergio Tutui, líder de inovação da instituição, o objetivo é transformar o hub paulista em referência para deep techs (empresas de base tecnológica) de alto valor agregado.

Para o Secretário de Agricultura de SP, Geraldo Melo Filho, essa diversidade de produtos e a busca pela excelência garantem a expansão estratégica dos acordos comerciais na Ásia, posicionando São Paulo como o motor dessa relação internacional.

Por: Redação

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