• Segunda-feira, 30 de março de 2026

Gleisi deixa a SRI para o Senado e Lula sonda petistas para a vaga

Ministra petista encerra mandato na pasta de articulação política; Lula descartou Noleto e busca nome petista com trânsito no Congresso

Gleisi Hoffmann (PT) deixa nesta 3ª feira (31.mar.2026) a chefia da SRI (Secretaria de Relações Institucionais) para disputar o Senado pelo Paraná em 2026. Seu substituto deve ser um petista, mas o martelo ainda não está batido. Nesta 2ª feira (30.mar.2026), ela se despediu dos jornalistas no comitê de imprensa do Palácio do Planalto, em Brasília.

Os principais nomes cotados para a vaga são Camilo Santana (ministro da Educação), Wellington Dias (ministro do Desenvolvimento Social) e José Guimarães (líder do Governo no Congresso). Segundo Gleisi, um ministro interino pode assumir até que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decida o titular. Nesse caso, assumiria o nº 2 da pasta, Marcelo Almeida Cunha Costa, diplomata de carreira.

A ministra disse que buscou manter uma relação “franca e aberta” com a imprensa e destacou, em tom de balanço, ações recentes do governo, como o reforço no enfrentamento à violência contra a mulher, com integração entre ministérios, Judiciário e forças de segurança.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou Olavo Noleto, secretário-executivo do Conselhão, que chegou a ser apontado para o cargo. Ele era indicação de Gleisi. A decisão foi tomada nos últimos dias, às vésperas do prazo de desincompatibilização. Lula busca um nome com trânsito amplo no Legislativo: na esquerda, na direita e, principalmente, no Centrão.

A Secretaria de Relações Institucionais é responsável pela articulação política do governo federal com o Congresso Nacional. Cabe à pasta mediar a relação entre o Executivo e o Legislativo, negociar apoios, construir maiorias e viabilizar a pauta do governo nas duas Casas.

Trata-se de um dos ministérios mais estratégicos do Planalto. Sem articulação eficiente, o governo perde capacidade de aprovar medidas, liberar emendas e manter sua base aliada coesa.

Wellington Dias é o favorito entre os petistas. O problema é que foi escalado para coordenar nacionalmente a campanha à reeleição de Lula. Caso vá para a SRI, a expectativa é que o nº 2 do Desenvolvimento Social assuma o ministério.

Gleisi assumiu a SRI em 10.mar.2025 e ficou pouco mais de 1 ano no cargo. Ela substituiu Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde.

A principal vitória foi o desbloqueio do Orçamento de 2025. O texto estava travado há 3 meses no Congresso e foi aprovado em 10 dias sob articulação direta da ministra. Gleisi assumiu o desgaste de negociar com setores mais refratários da Câmara.

Ela também defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Ao tomar posse, classificou a medida como urgente e a colocou como prioridade da agenda legislativa.

As derrotas, porém, foram mais ruidosas. A mais emblemática foi a derrubada do decreto presidencial que pretendia elevar as alíquotas do IOF. Foi a 1ª vez em 32 anos que deputados e senadores sustaram uma medida desse tipo. O episódio expôs a fragilidade da base governista no Congresso e gerou constrangimento ao Planalto.

O governo também não conseguiu barrar o avanço do PL da Dosimetria —a chamada anistia do 8 de Janeiro— aprovado na Câmara mesmo com orientação contrária do Executivo. O Senado aprovou a matéria em dezembro. Lula vetou.

Outro revés veio com o licenciamento ambiental. O Congresso concluiu a votação do novo marco, flexibilizando as regras para emissão de licenças, contrariando a posição do governo. Também derrubou vetos do presidente.

Por: Poder360

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