• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Grande dependência de carne faz Coreia do Sul ser alvo brasileiro

País asiático importa cerca de 60% da carne consumida no país, mas Brasil não possui acordo sanitário para exportar.

A Coreia do Sul é alvo dos frigoríficos e da pecuária brasileira há anos e destravar esse mercado é um dos principais objetivos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O principal motivo é a dependência dos sul-coreanos na importação de carne bovina.

Dados do governo asiático mostram que o país gastou US$ 6,9 bilhões na compra de cerca de 500 mil toneladas de carne bovina do exterior em 2025. É o 4º maior deficit comercial do país em comparação a sua exportação, que alcançou US$ 80 milhões.

A Coreia do Sul consome anualmente cerca de 900 mil toneladas de carne bovina. Ou seja, 60% do consumo da população sul-coreana depende da compra do produto no exterior. Esses números colocam o país como o 4º maior comprador de carne bovina do mundo.

O Brasil, por outro lado, é o maior exportador desse produto no mundo, mas esses 2 mercados ainda não convergiram. O motivo é a ausência de um acordo sanitário para exportação de carne in natura. O Brasil está presente no mercado sul-coreano na venda de carne de frango e suínos.

O setor de carne bovina brasileiro negocia há décadas a abertura desse mercado, mas esbarra nas complexas exigências sanitárias e fitossanitárias do país asiático.

Outro entrave, segundo um estudo da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), é que a Coreia do Sul tem ampla rede de acordos comerciais para abastecer o setor bovino. Eis a íntegra do relatório (PDF – 1 MB).

O país compra principalmente de Estados Unidos e Austrália. Os norte-americanos são responsáveis por quase 1/3 das vendas. Em 2025, o volume de vendas foi de US$ 2 bilhões.

A tendência é que a relação entre os norte-americanos e os sul-coreanos se intensifique nos próximos anos. Segundo a USMEF (Federação de Exportação de Carne dos EUA), os países firmaram um acordo em 2018 que reduziu progressivamente as tarifas sobre a carne bovina de 40% para zero, com a isenção total entrando em vigor em 2026.

O Poder360 apurou haver uma grande expectativa para as conversas sobre a abertura do mercado sul-coreano para a carne brasileira, mas as chances de um anúncio são pequenas. A abertura não se dará depois de algumas reuniões, pois demanda uma série de visitas técnicas e análise de protocolos sanitários.

Por: Poder360

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