• Segunda-feira, 16 de março de 2026

Investigação dos EUA sobre trabalho forçado é arbitrária, diz China

Governo norte-americano anunciou o início da apuração contra 60 países –dentre eles China e Brasil– na 5ª feira (12.mar).

O Ministério do Comércio da China classificou nesta 2ª feira (16.mar.2026) a investigação dos Estados Unidos sobre trabalho forçado em 60 países –incluindo China e Brasil– como “arbitrária e discriminatória, um típico ato protecionista”.

A investigação norte-americana foi anunciada na 5ª feira (12.mar) e pode resultar em sanções comerciais contra os países que a Casa Branca definir que não combatem de maneira eficaz o trabalho forçado. Se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e visa a proteger a indústria norte-americana de produtos mais competitivos em função da prática de trabalho forçado.

Segundo um porta-voz do Ministério do Comércio da China, os EUA não têm autoridade para iniciar essa apuração, pois estão atrás de diversos dos investigados no quesito de combate ao trabalho forçado. Citou como exemplo a não ratificação da Convenção de 1930 sobre Trabalho Forçado. Por outro lado, a China já ratificou 28 convenções internacionais do trabalho.

Para o governo chinês, a investigação norte-americana é mais uma tentativa da Casa Branca de justificar as barreiras comerciais contra diversos países. A decisão de investigar os 60 países foi tomada menos de 1 mês depois de a Suprema Corte dos EUA decidir que as tarifas globais do governo dos EUA são ilegais.

“O abuso reiterado, por parte dos EUA, do procedimento de investigação da Seção 301, colocando a legislação nacional acima das normas internacionais, está agravando seus erros, prejudicando gravemente a segurança e a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais e perturbando seriamente o comércio internacional e a ordem econômica”, declarou o porta-voz.

O Ministério do Comércio da China informou que o assunto da investigação norte-americana foi levado à mesa de negociações realizada entre representantes dos EUA e da China em Paris.

Inicialmente, o encontro entre o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, trataria das tarifas em vigor e seria uma conversa prévia entre as partes antes da reunião entre Donald Trump (Partido Republicano) e Xi Jinping (Partido Comunista da China) em 31 de março.

“Atualmente, a China e os EUA estão realizando uma nova rodada de consultas comerciais em Paris, França. A China apresentou suas reivindicações aos Estados Unidos. Exigimos que os EUA corrijam imediatamente suas práticas errôneas, encontrem um meio-termo com a China, adiram aos princípios do respeito mútuo e da consulta igualitária e encontrem uma solução para o problema por meio do diálogo e da consulta”, disse o porta-voz.

Por: Poder360

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