Repercussão
As críticas à nova lei de Israel não tardaram a chegar. A Autoridade Palestina acusou Israel de tentar "legitimar execuções extrajudiciais" e de estar violando o direito internacional. "Tais leis e medidas não quebrarão a vontade do povo palestino nem minarão a sua firmeza", afirmou o gabinete do presidente Mahmoud Abbas em comunicado, que garantiu que os palestinos vão “continuar a sua luta legítima pela liberdade, independência e pelo estabelecimento de um Estado palestino independente com Jerusalém Oriental como a sua capital". O ministério palestino dos Negócios Estrangeiros considera que esta lei constitui "um crime e uma escalada perigosa nas políticas de ocupação [por Israel, que] não tem nenhuma soberania sobre a terra da Palestina”. Os principais grupos de defesa dos Direitos Humanos de Israel denunciaram a lei como "um ato de discriminação institucionalizada e de violência racista contra os palestinos". A Associação para os Direitos Civis em Israel afirmou ter apresentado um recurso contra a lei no Supremo Tribunal de Israel. O Conselho da Europa afirmou que a nova lei representa uma “grave retrocesso”. "A entrada em vigor desta lei representaria um novo afastamento de Israel do quadro de valores a que historicamente optou por aderir", afirmou Alain Berset, secretário-geral da organização europeia de direitos humanos, em comunicado.Ainda antes da votação, o projeto de lei atraiu críticas dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França, Itália e Reino Unido, que afirmaram que tinha um caráter "de fato discriminatório" contra os palestinos e minava os princípios democráticos de Israel. Hamas O Hamas disse que a nova lei reflete a "natureza sanguinária” de Israel e “expõe a falsidade das suas repetidas alegações de que é civilizado e comprometido com os valores humanos”. A votação no Knesset ocorreu no momento em que vigora um frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que entrou em vigor em 10 de outubro, mais de dois anos após o início da guerra na Faixa de Gaza. O conflito foi desencadeado por um ataque sem precedentes do movimento islâmico-palestino Hamas, em 7 de outubro de 2023. A pena de morte existe em Israel, mas foi aplicada apenas duas vezes: em 1948, pouco depois da fundação do Estado, contra um capitão do exército acusado de alta traição; e em 1962, quando o criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann, um dos arquitetos do holocausto nazista, foi enforcado. Atualmente, a pena de morte é proibida para a maioria dos crimes em Israel, sendo permitida apenas em casos extraordinários de crimes de guerra ou genocídio. É proibida a reprodução deste conteúdo Relacionadas"A pena de morte é um anacronismo jurídico incompatível com os padrões contemporâneos de direitos humanos. Além disso, qualquer aplicação discriminatória é inaceitável em um Estado de direito", acrescentou Berset.
Brasil critica Israel por proibir religiosos no Santo Sepulcro





