• Sexta-feira, 6 de março de 2026

Israel ataca Beirute; Trump quer participar de escolha de líder do Irã

Bombardeio ocorre após determinação de retirada do sul da capital

Israel bombardeou Beirute nesta sexta-feira (6), depois de determinar uma retirada sem precedentes de todos os subúrbios do sul da capital libanesa, uma grande expansão da guerra contra o Irã que começou há uma semana ao lado dos Estados Unidos (EUA). Em aparente escalada de seus próprios objetivos de guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu o direito de ajudar a escolher o próximo líder supremo do Irã, sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto por bombas israelenses no primeiro dia da guerra. Israel estendeu os bombardeios ao Líbano para erradicar o Hezbollah, milícia xiita aliada do Irã que tem sido uma facção dominante na política libanesa desde a década de 1980. O Hezbollah disparou contra Israel nesta semana para vingar a morte de Khamenei. Explosões e clarões iluminaram o céu noturno sobre os subúrbios ao sul de Beirute. Os militares israelenses disseram ter feito 26 ondas de ataques durante a noite, com alvos que incluem centros de comando do Hezbollah e instalações de armazenamento de armas.

"Estamos dormindo aqui nas ruas -- alguns em carros, outros na rua, outros na praia", disse Jamal Seifeddin, 43 anos, que fugiu dos subúrbios do sul de Beirute e passou a noite nas ruas do centro da capital. "Nunca dormi assim no chão. Fui forçado a isso. Ninguém trouxe sequer um cobertor."

Israel interveio no Líbano várias vezes ao longo de décadas, mais recentemente em uma campanha de bombardeios que enfraqueceu seriamente o Hezbollah em 2024. Mas a ferocidade dos ataques desta sexta-feira pareceu ter poucos precedentes, mesmo na longa história de guerra na capital libanesa. Israel ordenou que os moradores deixassem toda a região sul de Beirute, onde vivem centenas de milhares de pessoas. Durante as campanhas anteriores, havia ordenado apenas retiradas menores de áreas específicas. Juntamente com o bombardeio de Beirute, Israel lançou nova onda de ataques contra o Irã, dizendo que tinha como alvo a infraestrutura da capital Teerã. Dentro de Israel, era possível ouvir explosões quando as defesas israelenses eram ativadas para abater os disparos iranianos que chegavam. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse que havia lançado uma operação combinada de mísseis e drones, visando locais no coração de Tel Aviv. Durante a noite, drones iranianos também atacaram a base aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, a maior base dos EUA no Oriente Médio, segundo autoridades do Catar. Não houve registro de vítimas.

Novo líder iraniano

Ao insistir no direito de ajudar a escolher o próximo líder do Irã -- que deverá ser um clérigo muçulmano xiita sênior selecionado por um painel de especialistas religiosos --, Trump fez sua exigência mais explícita de controle sobre um país de mais de 90 milhões de pessoas. Os comentários podem dificultar o fim rápido da guerra em um acordo que deixaria o sistema de governo clerical do Irã em vigor.

"Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã", afirmou Trump na quinta-feira em entrevista por telefone à Reuters.

Israel disse abertamente que quer derrubar o sistema governamental do Irã. Washington afirmou que seu objetivo é eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que convida os iranianos a se levantar e derrubar o governo. Não houve resposta imediata do Irã às falas de Trump. O país classificou a guerra como um ataque não provocado e considera a morte de seu líder, Khamenei, como um assassinato. O Irã diz ainda que o painel que escolherá o novo líder está realizando seu trabalho. Inicialmente, as autoridades iranianas afirmaram que o novo líder poderia ser escolhido em breve e que o principal candidato era o filho de Khamenei, Mojtaba, um poderoso linha-dura. Mas os planos para uma rápida sucessão podem ter sido interrompidos desde que um período de três dias de luto por Khamenei foi adiado indefinidamente na quarta-feira. Relacionadas
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Por: Redação

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