• Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Leite brasileiro surpreende o mundo ao emitir menos da metade dos gases de efeito estufa

Estudo da USP e da Embrapa Gado de Leite mostra que a pecuária leiteira nacional combina produtividade, tecnologia e manejo eficiente para reduzir a pegada de carbono no leite brasileiro — resultado que pode fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global.

Estudo da USP e da Embrapa Gado de Leite mostra que a pecuária leiteira nacional combina produtividade, tecnologia e manejo eficiente para reduzir a pegada de carbono no leite brasileiro — resultado que pode fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global. A pecuária leiteira brasileira começa a ganhar ainda mais relevância no debate internacional sobre sustentabilidade. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Embrapa Gado de Leite revela que o leite brasileiro produzido apresenta uma pegada de carbono significativamente menor do que a média mundial, evidenciando avanços técnicos e produtivos que reposicionam o setor como parte da solução climática — e não do problema. De acordo com a pesquisa, a produção nacional emite cerca de 1,19 kg de CO₂ equivalente por quilo de leite, enquanto a média global chega a aproximadamente 2,5 kg de CO₂eq por quilo, mais que o dobro.
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    O levantamento analisou 28 fazendas distribuídas em sete estados, reunindo dados de 24,3 mil animais responsáveis por uma produção anual de 162,1 milhões de litros, volume que representa cerca de 0,45% da produção brasileira. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Para garantir comparabilidade internacional, os pesquisadores utilizaram o cálculo do leite corrigido para gordura e proteína, metodologia amplamente adotada em estudos globais. Eficiência produtiva é o principal motor da baixa emissão O estudo aponta que a variável mais determinante para reduzir emissões é a produtividade animal. Quanto maior a produção por vaca, menor tende a ser a emissão por litro, já que o impacto ambiental total é diluído em um volume maior de leite. Propriedades com produtividade superior a 25 litros por vaca ao dia registraram pegada média de 0,9 kg de CO₂eq por quilo de leite — cerca de 25% abaixo da média nacional. Esse resultado confirma uma tendência clara na pecuária moderna: sistemas tecnificados e eficientes são também mais sustentáveis. O que explica a menor pegada de carbono do leite brasileiroEspecialistas destacam que o desempenho ambiental positivo não é fruto de um único fator, mas da combinação de várias estratégias produtivas: ✔ Genética e nutrição aprimoradas – Melhoramento genético aliado a dietas mais precisas eleva a produtividade e reduz a intensidade de emissões. ✔ Manejo de pastagens – Pastos bem manejados podem atuar como sumidouros de carbono, ajudando a compensar parte das emissões geradas pelos animais. ✔ Modelagem nutricional – Ferramentas modernas permitem formular dietas capazes de reduzir a produção de metano entérico. ✔ Gestão de resíduos – O manejo adequado dos dejetos também contribui para mitigar impactos ambientais ao longo da cadeia produtiva. A análise considerou todas as etapas do processo — da produção dos grãos usados na ração até o tratamento dos resíduos — por meio da metodologia conhecida como Análise de Ciclo de Vida (ACV). Fermentação entérica ainda lidera as emissõesMesmo com avanços, a pesquisa mostra onde estão os principais desafios do setor:
  • 47% das emissões vêm da fermentação entérica, processo digestivo natural dos ruminantes;
  • 36,8% estão ligadas à produção de alimentos para ração;
  • 8,1% são provenientes do manejo de dejetos.
  • Segundo Vanessa de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite, mensurar as emissões com precisão permite que produtores adotem práticas baseadas em ciência para aumentar a eficiência, reduzir a pegada de carbono e melhorar a competitividade do setor. Diferenças regionais mostram potencial de evoluçãoO levantamento também identificou variações importantes entre biomas brasileiros. O Pampa apresentou a menor pegada média (0,99 kg de CO₂eq/kg de leite), seguido por Cerrado (1,12 kg), Mata Atlântica (1,19 kg) e Caatinga (1,5 kg). Os dados reforçam que há espaço para ganhos adicionais de eficiência, especialmente com a difusão de tecnologia e boas práticas nas regiões com índices mais elevados. Sustentabilidade pode virar vantagem competitiva para o leite brasileiro Além do impacto ambiental positivo, o estudo indica que a eficiência da pecuária leiteira brasileira pode influenciar debates globais sobre agricultura e clima, fortalecendo a imagem do país como produtor sustentável. Na prática, isso abre portas para:
  • maior atração de investimentos ligados à agenda ESG;
  • fortalecimento da posição brasileira em negociações internacionais;
  • estímulo à adoção de tecnologias de baixo carbono;
  • ampliação da competitividade nas exportações.
  • Pesquisadores destacam ainda que o país tem potencial para se tornar referência mundial em práticas agropecuárias ecológicas, desde que continue monitorando indicadores e investindo em inovação. Um novo argumento para o agro brasileiroEm um cenário global cada vez mais pressionado pela redução das emissões, a pecuária leiteira nacional mostra que produtividade e sustentabilidade podem caminhar juntas.
    Por: Redação

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