O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer colocar 2 pautas prioritárias na mesa quando se encontrar pessoalmente com Donald Trump (Republicano): o combate ao crime organizado e o fornecimento de minerais críticos pelo Brasil. A expectativa é que o encontro aconteça na 2ª quinzena de março.
Em entrevista ao India Today, em Nova Délhi, onde Lula participa de agenda diplomática, o petista disse nesta 6ª feira (20.fev.2026): “Na minha conversa com Trump, quero negociar a questão do combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. (…) E vou levar uma proposta ao presidente Trump sobre esse tema. Também quero negociar com ele a questão dos minerais críticos e das terras-raras.”
Como antecipou o Poder360, a proposta de Lula estabelece mecanismos de compartilhamento de dados financeiros entre os 2 países, com foco em lavagem de dinheiro, rastreamento de fluxos ilícitos e apoio a investigações.
O presidente declarou ainda querer articular o Departamento de Justiça americano com a Polícia Federal e a Receita Federal brasileiras. Segundo Lula, se os EUA querem combater o tráfico, devem colaborar com o Brasil.
Ele citou novamente o dono da Reag: “Enviei a ele (Trump) uma relação de brasileiros que estavam contrabandeando gasolina para o Brasil. Esse cidadão, esse criminoso, vive em Miami. Se vamos lutar contra o tráfico de drogas, mande de volta ao Brasil esses criminosos brasileiros que estão vivendo nos Estados Unidos”, disse Lula.
O petista também foi categórico ao tratar dos minerais críticos e das terras-raras. Lula disse que quer negociar com Trump, mas não pretende transformar o território nacional em “um santuário da humanidade”.
Disse que o Brasil tem grandes reservas, mas não aceitará perder soberania sobre o processamento. “Quero negociar de forma soberana. O processo de transformação desses minerais críticos deve ser feito no nosso país, dentro do nosso país, e não fora”, afirmou.
O presidente descartou aceitar acordos que impliquem exclusividade com qualquer nação. “Venderemos para quem quisermos. Não aceitamos ter posições impostas”, disse.
A postura é consistente com a política declarada pelo Planalto. Segundo interlocutores do governo, o Brasil não vai aderir a nenhum clube ou consórcio restrito de países para tratar do tema –como chegou a ser proposto pelo governo americano. A diretriz é manter a “universalidade”: negociar com todos os interessados.
As declarações foram dadas à margem da Cúpula de Inteligência Artificial, na Índia. No sábado (21.fev), Lula terá agenda bilateral com o primeiro-ministro Narendra Modi e deve assinar memorando de entendimento sobre minerais críticos –o 1º do Brasil nessa área.
O acordo assinado com a Índia é descrito como um memorando de entendimento: um instrumento diplomático mais preliminar que um tratado. Ele organiza a relação bilateral, estimula o intercâmbio de experiências e lança um processo de diálogo, sem prever volumes de investimento ou exclusividade.
Internamente, o governo avalia que o fato de o primeiro acordo nessa área ser com a Índia tem valor simbólico, ainda que não tenha sido planejado assim.
Nos bastidores, a preparação avança em ritmo mais lento do que o esperado. Desde o telefonema entre os 2 presidentes –que sinalizou a vontade de um encontro presencial–, não houve novos contatos diretos entre o Planalto e a Casa Branca. A avaliação do Planalto é que os grandes parâmetros só serão definidos quando Lula e Trump se sentarem à mesa.
Além de crime organizado e minerais críticos, a agenda prevista inclui o impasse sobre os produtos que ainda estão sob tarifas extras e questões globais, como o Conselho da Paz de Trump e a situação na Venezuela, Cuba e Ucrânia.
O presidente disse estar “otimista” com a conversa. “Em reuniões pessoais, Trump é muito mais calmo. 2 homens de 80 anos não precisam brigar. Temos que tratar com a seriedade que nossa idade nos impõe”, afirmou.





