• Segunda-feira, 16 de março de 2026

Mercado se divide sobre magnitude do corte de juros pelo Copom

Comitê do Banco Central decide juros nesta semana; analistas projetam início do ciclo de queda entre 0,25 p.p. e 0,50 p.p.

O mercado financeiro está dividido sobre a magnitude do corte da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).

A decisão será anunciada nesta semana, após as reuniões dos dias 17 e 18 de março, e as projeções se concentram em duas possibilidades: redução de 0,25 p.p. (ponto percentual) ou de 0,50 p.p. na taxa básica de juros.

Entre analistas do mercado, há equilíbrio nas apostas. São 4 projeções que indicam corte de 0,50 p.p. e outras 4 que apontam redução de 0,25 p.p. 

A divisão nas estimativas reflete fatores recentes que pressionaram as expectativas de inflação. Antes, o corte de 0,50 p.p. era quase consenso.

Com a alta do petróleo no mercado internacional, que voltou a se aproximar de US$ 100 por barril, e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro, em 0,70% –acima das projeções de parte do mercado, cuja mediana era de 0,66%– alguns analistas reduziram suas projeções para 0,25 p.p.

O economista e conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores), Pablo Spyer, afirma que esse cenário deve levar o BC a optar por um início mais gradual no ciclo de redução dos juros.

Segundo ele, a alta recente do petróleo e incertezas sobre os preços de combustíveis recomendam cautela na condução da política monetária. Spyer diz que o Copom deve reduzir a Selic em apenas 0,25 p.p..

“A disparada do petróleo no mercado internacional, com o barril novamente perto de US$ 100, além de um IPCA de fevereiro acima do previsto, reforça a possibilidade de o Copom iniciar o ciclo de queda com um corte menor”, afirma.

O economista sênior da Genial Investimentos, Gabriel Pestana, também avalia que o resultado da inflação reforça um cenário de prudência na decisão do BC.

Segundo ele, a composição do IPCA merece atenção da autoridade monetária por causa da resistência da inflação de serviços e da alta dos núcleos do índice.

“A inflação de fevereiro mostra piora na margem. O avanço dos núcleos e a resiliência de serviços reforçam um cenário de maior cautela”, diz Pestana.

Na avaliação da Genial, o resultado fortalece a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, em vez de uma redução maior de 0,50 ponto percentual.

Já para o Banco Pine, “mesmo em meio ao cenário de incertezas após os conflitos no Oriente Médio, o corte deve ser de 0,50 p.p. no Copom de março e Selic a 11,5% ao fim de 2026”.

A decisão do Copom será relevante para o rumo da política monetária ao longo de 2026. O início do ciclo de queda da Selic tende a influenciar custos de crédito, investimentos e o ritmo de atividade da economia brasileira.

Por: Poder360

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