• Sábado, 11 de abril de 2026

O que as vacas veem? Dispositivo que replica a visão animal auxilia no manejo e bem-estar; veja

Com auxílio de realidade virtual, pesquisadores americanos revelam como a visão panorâmica e a percepção de cores dos bovinos impactam o comportamento do rebanho e a eficiência nas fazendas

Uma inovação tecnológica vinda da Universidade de Wisconsin-River Falls, nos Estados Unidos, está mudando a forma como pecuaristas compreendem seus rebanhos. Através do uso de realidade virtual, o Instituto de Manejo Humanitário da instituição permite que humanos experimentem, de forma imersiva, a perspectiva visual dos bovinos.

O objetivo é claro: ao enxergar o mundo como uma vaca, torna-se muito mais fácil identificar gargalos no manejo e promover um ambiente de bem-estar animal.

A ciência por trás do “Animal Eye Simulator”

A ferramenta, batizada de “Animal Eye Simulator”, foi concebida pela desenvolvedora alemã Computer Output Management. O sistema combina um capacete de segurança, uma câmera de 360 graus e óculos de realidade virtual para mimetizar as limitações e vantagens biológicas dos olhos bovinos.

De acordo com informações do portal Wisconsin Public Radio, a diferença anatômica é gritante. Enquanto o campo de visão humano gira em torno de 180 graus, as vacas possuem uma visão panorâmica que ultrapassa os 300 graus. Entretanto, essa amplitude tem um custo: por possuírem olhos nas laterais da cabeça, a visão periférica do animal é extremamente embaçada, o que altera sua percepção de segurança e espaço.

Cores, luzes e profundidade

Além do ângulo de visão, o simulador reproduz a visão dicromática dos bovinos. Diferente dos humanos, eles percebem predominantemente tons de azul e amarelo. Cores que saltam aos nossos olhos, como o vermelho de um colete de sinalização, são interpretadas por eles como variações de marrom.

O material técnico da universidade destaca outros pontos críticos que o dispositivo revela:

  • Baixa percepção de profundidade: O que dificulta a passagem por degraus ou mudanças bruscas no solo.
  • Adaptação lenta à luminosidade: O olho bovino demora muito mais que o nosso para se ajustar ao sair de um galpão escuro para um dia ensolarado.
  • O impacto no manejo prático

    Para Ashlynn Kirk, gerente de programa do Instituto, a tecnologia é a chave para resolver problemas comportamentais em fazendas e frigoríficos. Muitas vezes, o gado “trava” diante de uma sombra ou de uma mudança de cor no ambiente que, para o humano, parece irrelevante. “Só é possível ter certeza [sobre o design de uma instalação] ao observar o ambiente pela perspectiva deles“, afirma Kirk. Ao ajustar as estruturas com base nesses dados, o setor consegue reduzir o estresse do animal e otimizar o fluxo de trabalho.

    Por: Redação

    Artigos Relacionados: