• Quarta-feira, 18 de março de 2026

Quem é Marco Buzzi, ministro do STJ suspeito de assédio sexual

Magistrado catarinense consolidou carreira técnica voltada à conciliação; Buzzi nega acusação e se diz alvo de insinuações.

O ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, de 68 anos, vive o momento mais agudo de sua trajetória no STJ (Superior Tribunal de Jusiça). Integrante da Corte desde 2011, o magistrado catarinense é suspeito de ter assediado sexualmente uma jovem de 18 anos em 9 de janeiro de 2026, em Balneário Camboriú (SC).

O caso escalou institucionalmente após 3 ministros da Corte levarem o caso ao presidente do tribunal, Herman Benjamin, na 3ª feira (3.fev.2026), segundo apurou o Poder360. Os ministros pediram a apuração rigorosa dos fatos e a aposentadoria do magistrado. Na tarde desta 4ª feira (4.fev.2026), o inquérito contra o magistrado chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro Nunes Marques.

Em nota a este jornal digital, o gabinete de Buzzi disse que o juiz foi “surpreendido com o teor das insinuações” e repudiou “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.

A gravidade da denúncia, levada aos ministros pelos pais da vítima –que estavam hospedados na casa de Buzzi durante o recesso–, provocou uma mobilização incomum no tribunal. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, colheu o depoimento da mãe da jovem, em procedimento acompanhado pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela PF (Polícia Federal).

Paralelamente, os 15 magistrados mais antigos da Corte Especial se reuniram em caráter reservado nesta 4ª feira (4.fev), atrasando o início da sessão oficial em mais de 50 minutos. O pleno do STJ (com os 33 ministros) foi convocado para uma reunião extraordinária às 18h para tratar do tema. Foi quando se decidiu pelo afastamento de Buzzi.

Antes de se tornar o centro da crise, Marco Buzzi construiu uma carreira focada na eficiência processual. Natural de Timbó (SC), ele ingressou na magistratura em 1982 e foi desembargador do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) até ser indicado ao STJ pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Na Corte Superior, consolidou-se como o “ministro da conciliação”, sendo mestre em ciência jurídica e um dos maiores entusiastas de métodos consensuais para resolver conflitos de Direito Privado. Atualmente, preside a Comissão de Coordenação do tribunal e integra a 4ª turma.

Academicamente, Buzzi é reconhecido por defender que o Judiciário deve ser um pacificador social, buscando reduzir o número de processos por meio de acordos entre as partes. Essa imagem técnica, no entanto, sofre agora o desgaste não apenas da acusação de assédio, mas também de citações em inquéritos da PF que apuram venda de sentenças no Judiciário, baseados em materiais apreendidos com um lobista.

Além da suspeita de assédio, o nome do ministro também aparece em um relatório da PF que menciona repasses financeiros a sua filha, a advogada Catarina Buzzi. Mensagens encontradas no celular do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves sugerem uma cobrança dele de R$ 1,12 milhão por um trabalho que não teria sido cumprido.

É necessário ressaltar que Catarina Buzzi não e formalmente investigada e não é alvo de medidas judiciais no momento. Sua defesa afirma, em nota enviada à jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que as citações são “maliciosas” e que a advogada jamais recebeu valores ou prestou serviços aos personagens citados.

O ministro Buzzi também não é investigado no caso. Ele reiterou publicamente que não acompanha as atividades profissionais de sua filha e que as pessoas citadas no relatório da PF “não integram nenhum processo que esteja sob a responsabilidade do ministro”. 

O futuro de Buzzi no STJ agora depende do avanço do processo administrativo no CNJ e de eventuais desdobramentos criminais no STF, dado o foro privilegiado. Há também a possibilidade de abertura de processo de impeachment no Senado, o que amplia o isolamento político e institucional do magistrado.

Em nota, o CNJ declarou que o caso de suspeita de assédio está em sigilo.

O CNJ esclarece que o caso está tramitando no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça, em sigilo, como determina a legislação brasileira. Tal medida é necessária para preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização. A Corregedoria colheu nesta manhã depoimentos no âmbito do processo”.

Por: Poder360

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