• Sexta-feira, 20 de março de 2026

Redução da jornada eleva custo da construção em R$ 20 bi

Estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção indica alta de até 15% no custo da mão de obra.

O fim da escala 6 X 1, com redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, pode elevar em até R$ 20,3 bilhões por ano os custos da construção civil no Brasil, segundo estudo da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). 

A proposta em discussão no Congresso, de acordo com a entidade, tende a pressionar preços, reduzir o ritmo de obras e afetar o acesso à moradia.

O levantamento da CBIC considera dados da Rais 2024 (Relação Anual de Informações Sociais), com base no mercado formal de trabalho do setor. A entidade afirma que a mudança pode aumentar em até 15% o custo da mão de obra.

Segundo o estudo, a redução da jornada eleva imediatamente o custo da hora trabalhada em 10%, com a remuneração média passando de R$ 15,01 para R$ 16,51. O impacto tende a ser maior nas micro e pequenas empresas, que representam 98,7% dos mais de 300 mil estabelecimentos da construção.

A CBIC afirma que o setor emprega aproximadamente 3 milhões de trabalhadores formais e integra uma cadeia produtiva que envolve cerca de 13 milhões de pessoas. Para a entidade, mudanças na jornada têm efeito direto sobre toda a economia.

O estudo apresenta 3 cenários possíveis para compensar a redução de horas trabalhadas:

A entidade afirma que a contratação enfrenta limitações, já que o mercado de trabalho encerrou 2025 com taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica iniciada em 2012. Isso dificulta a reposição de mão de obra no curto prazo.

O estudo também indica que a construção já opera com custos acima da inflação. O INCC (Índice Nacional de Custos da Construção) acumulou alta de 5,81% em 12 meses até jan.2026, enquanto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 4,44% no mesmo período.

A CBIC afirma que o impacto tende a ser mais intenso na habitação popular, em que a mão de obra responde por quase 60% do custo total das obras. Nesse cenário, o aumento de custos pode pressionar preços e dificultar o acesso à casa própria, sobretudo para famílias de menor renda.

A entidade também avalia que o setor ainda não recuperou o nível de atividade observado em 2014 e que novas pressões de custo podem comprometer a retomada recente.

Para a CBIC, a discussão sobre redução da jornada precisa considerar ganhos de produtividade e os efeitos econômicos e sociais da medida. A entidade afirma que mudanças sem essa análise podem reduzir investimentos, encarecer imóveis e limitar o crescimento do setor.

Por: Poder360

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