• Segunda-feira, 2 de março de 2026

Setor sucroenergético paulista expande áreas de cultivo via arrendamento

Descubra como o setor sucroenergético paulista utiliza o arrendamento para concentrar o uso da terra e aumentar a eficiência produtiva em São Paulo.

Descubra como o setor sucroenergético paulista utiliza o arrendamento para concentrar o uso da terra e aumentar a eficiência produtiva em São Paulo A dinâmica de ocupação do solo no interior de São Paulo passou por uma metamorfose silenciosa, mas profunda. A antiga dicotomia entre o grande latifundiário e o pequeno produtor familiar deu lugar a um modelo de gestão corporativa onde a posse da terra importa menos que a sua utilização. Hoje, o setor sucroenergético paulista consolida sua hegemonia não pela compra de novas propriedades, mas por meio de contratos de arrendamento de longo prazo. Este fenômeno de concentração do uso da terra — e não necessariamente da propriedade formal — é o eixo central do estudo conduzido por José Giacomo Baccarin, professor da Unesp (FCAV/Jaboticabal), publicado recentemente no periódico internacional Land Use Policy. Segundo o pesquisador, o modelo de “alugar” em vez de “comprar” permitiu que as usinas expandissem seus canaviais de forma ágil, integrando diversas pequenas propriedades sob uma única administração técnica.
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    Concentração de uso no setor sucroenergético paulista Os números revelam o peso dessa estratégia. Embora propriedades com mais de mil hectares ocupem apenas 21% da área total registrada no estado, os estabelecimentos agrícolas geridos por grandes grupos (unidades contíguas sob um único gestor) já respondem por 45% da área produtiva. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Essa disparidade mostra que o setor sucroenergético paulista funciona como um agregador de terras. “O estado é o líder global em derivados da cana, detendo 62% da produção nacional de açúcar e quase metade do etanol do país”, destaca o estudo. Essa escala é mantida por um cinturão verde que envolve as usinas, transformando o mapa fundiário paulista em um mosaico de proprietários diversos sob o comando operacional de poucas indústrias. Logística e o “raio de eficiência” Diferente de grãos que suportam longos trajetos, a cana-de-açúcar exige rapidez: do corte à moenda, o tempo é o maior inimigo da produtividade. Por isso, as usinas paulistas operam em um raio logístico de até 50 quilômetros. Dentro desse perímetro, a disputa por terras é intensa. A expansão não ocorre pela abertura de novas fronteiras agrícolas, mas pela “canibalização” de áreas próximas às unidades industriais. Atualmente, cerca de 60% da cana processada em solo paulista é de produção própria das usinas (via arrendamento), enquanto 40% permanece nas mãos de fornecedores independentes. O impacto da mecanização e o perfil urbano O ponto de virada para essa concentração ocorreu em 2007, com o Protocolo Agroambiental. A obrigatoriedade do fim das queimadas e a transição para a colheita 100% mecanizada elevaram o sarrafo econômico. Uma colhedora moderna possui um custo fixo altíssimo, exigindo milhares de toneladas por safra para se pagar — escala que o pequeno produtor, sozinho, raramente alcança. Além da pressão tecnológica, há um componente sociológico:
  • Herdeiros Urbanos: Filhos e netos de antigos produtores migraram para as cidades e exercem profissões liberais.
  • Renda Passiva: Para essas famílias, o arrendamento ao setor sucroenergético paulista tornou-se uma fonte de renda segura e sem os riscos diretos da atividade agrícola.
  • Desafios futuros para o setor sucroenergético paulista Apesar da eficiência do modelo, o cenário não é isento de riscos. O avanço do etanol de milho (que já representa 25% da produção nacional) e a mudança nos hábitos de consumo de açúcar no exterior impõem novos limites ao crescimento. A conclusão do estudo da Unesp aponta que, embora o arrendamento traga ganhos de escala, ele exige atenção redobrada das políticas públicas. O desafio para os próximos anos será equilibrar a força industrial do setor sucroenergético paulista com a necessidade de diversificação produtiva (hortifrúti) e a preservação ambiental em áreas onde o dono da terra já não vive mais no campo. VEJA MAIS:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
    Por: Redação

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