Semana decisiva
A atuação chama atenção por ocorrer na semana da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Tradicionalmente, o Tesouro evita intervenções nesse período para não gerar interpretações de influência sobre a política monetária. A curva de juros futuros é um dos principais termômetros para as decisões do Banco Central, especialmente na definição da trajetória da taxa Selic. A última edição do boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, aponta divisão nas projeções para a reunião desta quarta-feira. A maioria prevê corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas parte do mercado ainda aposta em redução maior. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.Estratégia antecipada
A avaliação técnica é de que o Tesouro adotou uma postura mais agressiva para evitar disfunções maiores no mercado no futuro. Em dezembro de 2024, por exemplo, a reação foi mais tardia em meio a turbulências políticas e fiscais. A continuidade das intervenções ainda é incerta e dependerá das condições de mercado. Historicamente, o Tesouro atua por alguns dias consecutivos em momentos de estresse, mas a decisão fica a critério do órgão.Risco doméstico
Apesar da atuação, o mercado seguiu pressionado no fim do dia. A possibilidade de greve de caminhoneiros, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, elevou a percepção de risco, relembrando impactos econômicos observados em 2018, como alta da inflação e pressão fiscal. A taxa de juros para janeiro de 2027 subiu para 14,13% ao ano, enquanto os vencimentos mais longos ficaram estáveis. No câmbio, o dólar diminuiu o recuo, e a bolsa reduziu a alta. Relacionadas
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