• Sábado, 11 de abril de 2026

Tomate e leite disparam: inflação de alimentos acelera e atinge 1,56% em março

Em março, todos os nove grupos de produtos e serviços que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registraram alta

A inflação dos alimentos e bebidas registrou uma forte aceleração em março, saltando de 0,26% em fevereiro para 1,56%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O segmento representou a segunda maior pressão sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês, sendo superado apenas pelo grupo de transportes, que avançou 1,64%.

O IPCA geral de março fechou em 0,88%, um aumento de 0,18 ponto percentual em relação à taxa de fevereiro (0,70%). Com o resultado, o índice acumula alta de 1,92% no ano e de 4,14% nos últimos 12 meses — um patamar superior aos 3,81% registrados no período anterior. Para efeito de comparação, a variação em março de 2025 havia sido de 0,56%.

A alimentação no domicílio subiu 1,94% em março, impulsionada por itens essenciais na mesa dos brasileiros. Entre as maiores altas, destacam-se o tomate (20,31%), a cebola (17,25%), a batata-inglesa (12,17%) e o leite longa vida (11,74%). As carnes também ficaram mais caras, com alta de 1,73%. No sentido oposto, a maçã (-5,79%) e o café moído (-1,28%) registraram queda nos preços.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a carestia reflete a combinação de safra restrita e o encarecimento dos combustíveis. "Como nossa produção é escoada majoritariamente por rodovias e utiliza óleo diesel, o aumento do frete acaba sendo repassado para o consumidor final", explicou o gerente.

No caso específico do tomate, a desaceleração da safra de verão e problemas na qualidade dos frutos reduziram a oferta. Dinâmica semelhante afetou a cebola e a batata-inglesa. Já a alimentação fora de casa subiu 0,61%, com destaque para o preço dos lanches, que acelerou de 0,15% para 0,89% no mês.

O preço do diesel sofreu um reajuste de R$ 0,38 (11,6%) pela Petrobras no início de março, motivado pela alta do petróleo no mercado internacional em decorrência de conflitos globais. Embora o governo federal tenha decretado isenção de PIS/Cofins (R$ 0,32), o aumento real para as distribuidoras foi de R$ 0,06.

"Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional", observou Gonçalves.

Em março, todos os nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA registraram alta. Transportes (1,64%) e Alimentação e bebidas (1,56%) foram os protagonistas, respondendo sozinhos por 76% do índice do mês. As demais variações oscilaram entre 0,02%, no grupo Educação, e 0,65%, em Despesas Pessoais.

Gonçalves reforçou que a aceleração na alimentação doméstica (1,94%) é a mais expressiva desde abril de 2022, consolidando um cenário de pressão inflacionária disseminada.

Por: Redação

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