• Terça-feira, 7 de abril de 2026

'Vi meu pai enforcando a minha mãe', relata Suzane von Richtofen em documentário

Documentário de duas horas vai mostrar a versão de Suzane von Richtofen sobre um dos crimes mais emblemáticos do Brasil

Suzane von Richthofen volta ao centro das atenções em um documentário de duas horas que será lançado pela Netflix. Segundo O Globo, a produção traz a versão dela sobre o assassinato dos pais, Manfred e Marísia, caso que chocou o Brasil em 2002.

Na conversa, Suzane, condenada a 39 anos de prisão e que hoje cumpre o restante da pena em regime aberto, afirmou que nunca teve uma relação muito próxima com os pais, desde a infância.

"Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão [Andreas]. Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando", relatou ela.

Suzane destacou que a relação entre os pais era delicada. "O relacionamento dos meus pais era muito ruim", pontuou, antes de contar que flagrou agressões de Manfred von Richthofen contra Marísia von Richthofen.

"Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível", relembrou.

O distanciamento dos pais criou um abismo em Suzane, que diz ter encontrado em Daniel Cravinhos esse preenchimento. O rapaz ocupou "todos os espaços" da vida de Suzane, que passou a viver uma vida dupla escondida dos pais.

A mãe não aprovava o relacionamento, dizendo que Daniel puxaria a jovem "para o fundo do poço". Quando os pais descobriram o relacionamento, começou uma guerra dentro da casa dos Von Richthofen. "Ele [Manfred, pai de Suzane] me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou para o lado", relembrou.

A virada de chave foi quando os pais ficaram um mês viajando, e ela ficou sozinha com Daniel. "Foi um mês de liberdade total. Um sonho que não queria que acabasse", contou. Suzane disse que a ideia do crime foi construída aos poucos, com o casal imaginando como seria se Manfred e Marísia não existissem.

O crime foi cometido em 31 de outubro de 2002. Com o planejamento de Suzane, Daniel e Cristian Cravinhos mataram Manfred e Marísia a pauladas enquanto eles dormiam. A jovem esperava no andar de baixo.

"Se eu parasse para pensar, aquilo não aconteceria. Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que fiz não tem mais volta", disse.

A mulher não só fala sobre o crime cometido há 24 anos, mas também conta sobre sua vida atual, ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho.

Os dois se conheceram pela internet, quando ele entrou em contato para encomendar três sandálias que Suzane fazia para as filhas.

Suzane, no fim, rompe com a própria imagem e diz que o filho foi a maior prova de que tudo ficou para trás. "Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais", disse.

"Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou", concluiu.

O longa "Suzane vai falar", da Netflix, ainda não tem data oficial de lançamento, mas uma pré-estreia restrita já foi realizada pela plataforma de streaming.

Por: Redação

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