Boi gordo rompe os R$ 370/@ e começa a semana pressionado e com viés de alta
Oferta curta trava escalas, exportações seguem fortes e indústria entra na disputa por boiada, elevando os preços da arroba do boi gordo em todo o país
Oferta curta trava escalas, exportações seguem fortes e indústria entra na disputa por boiada, elevando os preços da arroba do boi gordo em todo o país O mercado do boi gordo iniciou a semana em ritmo firme e com sinais claros de continuidade da alta. Logo na abertura dos negócios desta segunda-feira (6), já foram registrados fechamentos acima das referências médias em diversas regiões do país, com destaque para praças onde a arroba voltou a romper o patamar dos R$ 370/@ — um movimento que reforça a pressão sobre a indústria e evidencia a escassez de animais prontos para abate. Esse cenário não é pontual. Ele reflete um conjunto de fatores que vêm se consolidando nas últimas semanas e que agora se intensificam: oferta limitada, escalas curtas nos frigoríficos e demanda consistente, especialmente no mercado externo.
Oferta curta trava escalas e força frigoríficos a pagar mais Segundo análise de Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, os frigoríficos seguem enfrentando dificuldades para alongar suas escalas de abate, o que tem obrigado a indústria a subir as ofertas para garantir matéria-prima. Esse movimento já aparece com clareza em estados como São Paulo e Mato Grosso, onde há registros de negócios acima de R$ 370/@, além de Rondônia, com valores superiores a R$ 330/@. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});A leitura da consultoria é direta: a oferta de animais terminados segue restrita, mesmo com pastagens ainda favorecendo a retenção de gado nas propriedades. Esse comportamento do pecuarista, mais cauteloso na venda, contribui para manter o mercado ajustado e com tendência de alta. Na mesma linha, a Agrifatto destaca que o mercado físico vive um dos momentos mais firmes dos últimos anos. Com escalas de abate girando em torno de apenas cinco dias, a consultoria observa um ambiente de disputa mais intensa entre pecuaristas e frigoríficos, sustentando a valorização da arroba. Exportações aquecidas e mercado interno dão suporte aos preços Outro fator decisivo para o atual cenário é o desempenho das exportações. A Safras & Mercado ressalta que a demanda internacional, especialmente da China, segue firme neste primeiro quadrimestre, ajudando a sustentar os preços no mercado interno. Já a Agrifatto complementa que, além do mercado externo, o consumo doméstico também contribui para o bom momento da pecuária, impulsionado pelo início do mês — período tradicionalmente marcado por maior reposição entre atacado e varejo.
Há ainda um fator adicional no radar: a tensão sanitária internacional, após registros de febre aftosa na China, que pode influenciar fluxos comerciais e reforçar a procura pela carne brasileira.
Preços firmes nas principais praças e avanço gradual da arroba Os números confirmam o cenário de sustentação. Em São Paulo, a arroba gira em torno de R$ 365, enquanto a média nacional monitorada pela Agrifatto está próxima de R$ 339,20/@. Já o levantamento da Safras & Mercado aponta as seguintes médias:
São Paulo: R$ 366,08/@
Goiás: R$ 351,07/@
Minas Gerais: R$ 352,35/@
Mato Grosso do Sul: R$ 359,55/@
Mato Grosso: R$ 362,43/@
Pelos dados da Scot Consultoria, o boi comum em São Paulo avançou para R$ 362/@, enquanto o boi-China se mantém em R$ 365/@, evidenciando estabilidade com viés de alta no mercado exportador. Atacado firme, mas concorrência com frango ainda limita altas maiores
No mercado atacadista, os preços também seguem sustentados, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. Os cortes bovinos permanecem em níveis elevados, com destaque para: Quarto traseiro: R$ 27,50/kg Quarto dianteiro: R$ 22,00/kg Ponta de agulha: R$ 20,00/kg Apesar da firmeza, a Safras & Mercado alerta que o avanço mais consistente da carne bovina ainda encontra resistência na competitividade de outras proteínas, especialmente o frango, que segue com preços mais baixos e pressiona o consumo. Mercado futuro do boi gordo acende alerta para o clima e próximos meses Na B3, o comportamento dos contratos futuros indica um mercado atento aos próximos movimentos. Segundo a Agrifatto, após o fechamento do contrato spot de março em R$ 355,50/@, o vencimento de abril/26 passou por leve ajuste técnico, enquanto os contratos mais longos registraram recuos, refletindo cautela diante da transição do ciclo climático. Na prática, o mercado vive um cenário típico de ciclo de valorização: oferta controlada, demanda firme e indústria pressionada. O pecuarista, mais capitalizado e sem pressa para vender, cadencia a oferta e força o encurtamento das escalas, aumentando seu poder de negociação.
O diagnóstico das consultorias é convergente: o boi gordo segue sustentado e com espaço para novas altas no curto prazo, especialmente se o ritmo das exportações continuar forte e a oferta de animais terminados permanecer restrita. Para o produtor, o momento é estratégico. Para a indústria, o desafio segue sendo garantir boiada em um mercado cada vez mais disputado.
Por: Redação
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