Boi gordo sobe mais de R$ 22/@ em fevereiro com forte alta; o que esperar de março?
Escassez de oferta, exportações recordes e poder de barganha do pecuarista impulsionam a arroba do boi gordo; decisão do governo sobre cota chinesa pode mudar o ritmo no próximo mês
Escassez de oferta, exportações recordes e poder de barganha do pecuarista impulsionam a arroba do boi gordo; decisão do governo sobre cota chinesa pode mudar o ritmo no próximo mês O mercado do boi gordo encerrou fevereiro com uma das maiores valorizações nominais dos últimos anos, consolidando um movimento de alta que surpreendeu parte da indústria frigorífica e reforçou o protagonismo do pecuarista nas negociações. Em algumas praças, a arroba acumulou ganhos superiores a R$ 22/@ ao longo do mês, sustentada por oferta restrita, exportações aquecidas e escalas de abate curtas. A pergunta que agora movimenta o setor é direta: março manterá o fôlego ou veremos uma acomodação dos preços?
Fevereiro de forte valorização Em São Paulo, principal referência do País, o boi gordo terminou fevereiro negociado entre R$ 350/@ e R$ 355/@, patamar que não era observado desde novembro de 2024. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o mês acumulou alta de 7,4% para o boi gordo e 7,6% para o “boi-China”, além de ganhos relevantes também para vaca e novilha. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Em outras praças importantes, o avanço foi expressivo:
São Paulo: de R$ 332 para R$ 354 (+6,6%)
Goiás: de R$ 316 para R$ 333 (+5,3%)
Minas Gerais: de R$ 318 para R$ 338 (+6,3%)
Mato Grosso: de R$ 310 para R$ 330 (+6,4%)
Além disso, indicadores diários mostraram São Paulo chegando a R$ 356,17/@ no encerramento do mês. Para efeito histórico, fevereiro registrou a maior variação nominal em relação a janeiro desde 1999, segundo análise da Scot. Oferta curta sustenta o mercado O principal vetor da alta foi a restrição de oferta. As escalas de abate permaneceram apertadas, variando entre cinco e seis dias úteis na média nacional. Dados sob inspeção federal indicaram:
Queda de 11,3% nos abates em janeiro/26 na comparação anual
Na parcial de fevereiro (até 25/2), 1,6 milhão de cabeças abatidas, volume 31,7% inferior ao mesmo período de 2025
Outro fator importante foi a menor participação de fêmeas nas câmaras frias, estimulada pelos preços elevados do bezerro.
Com pastagens favorecidas pelas chuvas no Centro-Norte, o pecuarista ganhou poder de barganha. Boas condições de pasto permitiram cadenciar vendas e negociar lotes menores, reduzindo a pressão de oferta. Exportações recordes elevam o piso da arroba No front externo, os embarques de carne bovina foram determinantes. Até a terceira semana de fevereiro, o Brasil já havia exportado 192,7 mil toneladas de carne bovina in natura, superando o recorde anterior . Dados da Secex mostram que, até 13 dias úteis do mês:
US$ 1,081 bilhão em receita
192,708 mil toneladas exportadas
Preço médio de US$ 5.613,40 por tonelada
Na comparação anual:
+77,3% no valor médio diário exportado
+55,7% na quantidade média diária
+13,9% no preço médio
Esse cenário de demanda internacional firme, aliado a um ambiente global de oferta mais apertada, deu sustentação à arroba ao longo de todo o mês.
Mercado atacadista e câmbio No atacado, os preços se mantiveram firmes, especialmente na carne com osso. No fechamento do mês:
Quarto dianteiro: R$ 21/kg (+R$ 1,00)
Quarto traseiro: R$ 27/kg (+R$ 0,50)
Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
Já o dólar encerrou fevereiro em torno de R$ 5,13, acumulando queda mensal de 2,15% — fator que ajuda a suavizar parte da pressão exportadora, mas não anulou o forte ritmo de embarques. O que pode mudar em março? O principal ponto de atenção é a gestão da cota de exportação para a China.
Analistas indicam que o governo brasileiro pode anunciar, ainda na primeira quinzena de março, uma regulamentação para escalonar os embarques ao longo do ano . A preocupação é que, sem gestão, a cota de 1,106 milhão de toneladas se esgote rapidamente . Se houver intervenção:
O ritmo de exportações pode desacelerar;
O apetite de compra chinês tende a diminuir;
A arroba pode perder parte do ímpeto altista.
Além disso, o consumo doméstico segue como variável sensível. O varejo enfrenta dificuldade para repassar altas sucessivas, e a carne bovina continua perdendo competitividade frente ao frango, especialmente em momentos de renda pressionada . Cenário provável do boi gordo para março O ambiente para março pode ser resumido em três vetores: 1️⃣ Oferta ainda enxuta – pastagens seguem favorecendo retenção. 2️⃣ Exportações fortes, mas sob risco regulatório. 3️⃣ Consumo interno com limite para novos reajustes. Se a decisão sobre a cota chinesa vier de forma restritiva, o mercado pode entrar em fase de acomodação, com menor velocidade de alta. Por outro lado, caso o fluxo externo siga intenso e a oferta permaneça curta, a arroba poderá testar novos patamares acima dos atuais R$ 350/@ em São Paulo.
Por: Redação
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