O presidente-executivo da Enel, Flavio Cattaneo, afirmou nesta 2ª feira (23.fev.2026) que apagões provocados pela queda de árvores na região metropolitana de São Paulo são inevitáveis nas condições atuais da rede elétrica aérea.
“Na nossa avaliação, não se trata apenas de um problema da Enel. Se esse tipo de arborização continuar, só alguém seria capaz de resolver, e não é um ser humano, é Jesus Cristo, porque não há como evitar apagões de outra forma”, afirmou durante apresentação de novo plano estratégico da companhia.
Cattaneo afirma que, em muitos pontos da capital e da Grande São Paulo, os cabos passam por dentro das copas das árvores. Em situações de vento forte ou eventos climáticos extremos, a queda de galhos e troncos danificaria a rede e dificultaria o restabelecimento do serviço.
A companhia também informou que mapeou cerca de 770 mil árvores na área de concessão em parceria com prefeituras e que, das 145 árvores que caíram no apagão de dezembro, apenas 9 eram classificadas como de risco. A Enel afirma ter melhorado em 50% os indicadores de qualidade do serviço em São Paulo em 2025.
A empresa está sob forte pressão pública e regulatória por causa dos apagões prolongados em São Paulo (SP). Em dezembro de 2025, uma ventania deixou cerca de 4,4 milhões de unidades consumidoras sem energia na região metropolitana.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) analisa um processo que pode resultar na caducidade da concessão da Enel São Paulo –medida que implicaria a perda do contrato. O processo foi iniciado em novembro do ano passado, mas teve a tramitação suspensa após pedido de vista do diretor Gentil Nogueira.
A agência deve decidir, na 3ª feira (24.fev), se concede mais prazo para análise ou se retoma o julgamento. O diretor Gentil Nogueira de Sá Júnior solicitou mais 60 dias para apresentar seu voto na análise. Ele definiu como prazo o dia 26 de fevereiro para que a concessionária envie suas considerações acerca da atuação da distribuidora no atendimento às ocorrências emergenciais em dezembro de 2025, segundo a Aneel. Leia a íntegra do pedido do ministro (PDF – 181 kB).
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, pediu que o caso seja deliberado com urgência, mas se aprovado o pedido de Gentil, a decisão será adiada.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), tem afirmado que a orientação do Ministério, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que a concessão para a italiana Enel operar com distribuição de energia elétrica em São Paulo sofra processo de caducidade –encerramento de contrato.
A caducidade da concessão é uma medida punitiva em que se declara o descumprimento de obrigações contratuais pela empresa e encerra antecipadamente o contrato, retomando o serviço para posteriormente relicitar ou transferir a operação a outra companhia.
Silveira disse que pode haver ainda a passagem de controle da concessão, quando se mantém a concessão em vigor, mas permite-se a troca do comando da distribuidora, com a venda da operação para outro grupo econômico, mediante aprovação da Aneel.
Enquanto a caducidade implica rompimento formal do vínculo contratual, a mudança de controle preserva o contrato e busca uma solução negociada.
A vontade de Silveira era que a Aneel julgasse a caducidade da concessionária até o término de fevereiro para que o processo pudesse ser resolvido “o quanto antes”.





