O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça realizou uma reunião, nesta 2ª feira (23.fev.2026), com os delegados da PF (Polícia Federal) responsáveis pela investigação do caso Master. O encontro começou às 17h e terminou por volta das 20h.
Em nota, a Secretaria de Comunicação do Supremo declarou que os agentes apresentaram um “relato atualizado” sobre o andamento das apurações e a “lista” dos processos decorrentes da operação Compliance Zero. Segundo a Corte, todos os casos tramitam sob a relatoria do ministro.
Mendonça queria um resumo completo do caso para saber o que a PF conseguiu e o que poderia ser remetido para a 1ª instância. Também pretendia saber se há alguma intersecção entre a operação Compliance Zero e a operação Sem Desconto, que apura irregularidades no INSS.
Leia a íntegra da nota do Supremo:
“A Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal informa que o ministro André Mendonça reuniu-se na tarde desta 2ª feira (23) com delegados da Polícia Federal responsáveis pelas investigações relativas ao Banco Master. Durante a audiência, a Polícia Federal apresentou um relato atualizado sobre o estágio das apurações. O encontro também serviu para apresentação à Polícia Federal da lista dos processos da Operação Compliance Zero e desdobramentos correlatos que tramitam na Corte sob a relatoria do ministro.”
Este foi o 2º encontro de Mendonça com a Polícia Federal sobre o caso. As conversas começaram em 13 de fevereiro, 1 dia depois de o ministro assumir a relatoria do inquérito. Na ocasião, a PF lhe havia prometido um relatório sobre o andamento das investigações no prazo de 10 dias. Participaram vários integrantes da PF, inclusive o diretor-executivo, William Marcel Murad. O diretor-geral, Andrei Rodrigues, não esteve presente.
A operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal, investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras no mercado de capitais, com o Banco Master à frente. A suspeita da PF e do Banco Central é que houve desvio de ativos e ocultação de prejuízo.
O ministro Dias Toffoli relatou o caso no Supremo até 12 de fevereiro de 2026, em 3 meses repletos de embates com a PF. O ministro André Mendonça o sucedeu. A decisão foi anunciada após reunião reservada entre os magistrados, na qual o colegiado analisou o documento de 200 páginas entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para o presidente da Corte, Edson Fachin. Para os 10 ministros que participaram da reunião, o relatório era ilegal e um “lixo jurídico”, na expressão usada pelo ministro Flávio Dino durante o encontro.
No relatório, Andrei Rodrigues argumentava que havia relação de proximidade entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Sugeria que essa condição impediria o magistrado de atuar no caso. Citava como indício dessa relação juiz e investigado a ida de Toffoli a um evento patrocinado em parte pelo Banco Master, em Londres, em abril de 2024 (com outros integrantes do Supremo). Ocorre que o próprio diretor da PF também foi a esse encontro como convidado –algo que não estava mencionado no relatório da PF, embora fosse informação de domínio público.
A lei no Brasil confere a certas autoridades o chamado “foro por prerrogativa de função”. Se um policial em qualquer nível encontra de maneira fortuita o que pode ser uma eventual prova de ilícito contra uma autoridade, não pode fazer nada nem prosseguir com uma investigação sem autorização judicial expressa.
O Poder360 também revelou que, até o momento, a PF nunca compartilhou com o Supremo Tribunal Federal os conteúdos de dezenas de aparelhos eletrônicos apreendidos (52 desses equipamentos são telefones celulares). O STF é responsável por relatar o caso, mas não sabe quase nada a respeito do que está sendo apurado.
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