• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Cientista diz ter perdido patente da polilaminina após corte de verba

Medicamento ainda não tem registro, mas indicou resultados positivos no tratamento de pacientes com lesões medulares.

A cientista brasileira Tatiana Sampaio disse ter perdido a patente da polilaminina após cortes no financiamento do estudo, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os cortes ocorreram durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). A declaração foi feita em entrevista ao canal TV 247, no Youtube.

Segundo Tatiana, a patente nacional demorou 18 anos para ser concedida, em 2025, mas com um prazo de validade já em voga de 20 anos. Restaram apenas 2 anos para que o medicamento fosse exclusivo da pesquisadora. Já a internacional foi perdida por falta de pagamento das taxas necessárias. As taxas eram custeadas por verbas de pesquisa da UFRJ, cortadas em 2015.

A cientista relatou que chegou a pagar o registro do próprio bolso para evitar a perda da exclusividade, mas ainda assim não conseguiu manter a proteção internacional do medicamento. Para Tatiana, a perda é mais do que burocrática. Atinge também o reconhecimento da ciência brasileira e do time de profissionais que levou anos na pesquisa.

A polilaminina é uma versão sinteticamente aprimorada da proteína laminina, extraída de placentas humanas. Ela atua como uma guia em lesões medulares, “colando” fibras nervosas rompidas. A regeneração em humanos é gradual e pode levar alguns meses.

Em um estudo com 8 pacientes com lesão medular completa (com chance de melhora de apenas 10%), 6 recuperaram algum tipo de movimento após receberem o tratamento com polilaminina. Um dos pacientes voltou a andar.

O medicamento ainda não possui registro. Por isso, pacientes têm tentado medidas judiciais para terem acesso ao tratamento como voluntários clínicos. 

Em 5 de janeiro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou um estudo clínico de fase 1 para testar a polilaminina em pacientes com lesões recentes na medula espinhal. A decisão permitiu a aplicação da substância diretamente na área lesionada de 5 pacientes para avaliar sua segurança.

Por: Poder360

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