• Sexta-feira, 10 de abril de 2026

Cota de carne bovina para a China deve ser esgotada até maio, alerta Abiec

Com aceleração nos embarques no primeiro trimestre, Brasil já utilizou 40% da cota

As exportações de carne bovina brasileira para a China entraram em contagem regressiva. Durante o Encontro de Confinamento e Recriadores, realizado pela Scot Consultoria nesta quarta-feira (8), o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o Brasil deve atingir o limite da cota de exportação para o país asiático já na primeira semana de maio.

O cenário é reflexo de uma forte aceleração nos embarques registrada em março. Segundo Perosa, o volume exportado nos primeiros três meses de 2026 já ultrapassou 40% da cota total, impulsionado pela decisão governamental de não regular o ritmo das vendas externas no início do ano.

O principal desafio para os frigoríficos brasileiros é a restrição imposta por Pequim. Para este ano, a China reduziu em 35% o volume de importação de carne brasileira.

A preocupação central da Abiec reside em dois fatores críticos que se complementam. Primeiramente, as negociações diplomáticas para uma revisão ou ampliação do volume de carne permitido não registraram avanços significativos. Somado a isso, o setor enfrenta a falta de alternativas imediatas, uma vez que não há, no curto prazo, a abertura de novos mercados internacionais com capacidade robusta para absorver o excedente de produção que deixará de ser enviado aos chineses após o esgotamento precoce da cota.

"A questão da cota é a nossa principal preocupação hoje. O volume foi reduzido drasticamente e não temos horizontes de abertura rápida de outros mercados para esse excedente", destacou o executivo.

Sobre os casos recentes de febre aftosa registrados no Norte da China, Perosa tranquilizou os produtores e exportadores brasileiros. Segundo ele, o impacto para o Brasil é nulo. O governo chinês realizou o abate sanitário de 10 mil animais, um contingente considerado "pequeno e pouco representativo" diante do gigantesco rebanho chinês, o que descarta qualquer possibilidade de mudança drástica na demanda ou riscos sanitários para o mercado global por conta desse episódio isolado.

Com o provável esgotamento da cota em maio, o setor deve enfrentar um desafio logístico e comercial a partir do segundo semestre. Sem o principal destino internacional em plena operação, a indústria brasileira precisará buscar estratégias para sustentar os preços internos e o escoamento da produção de confinamento que entra no mercado nos próximos meses.

Por: Redação

Artigos Relacionados: