O governo brasileiro deve assinar ainda nesta semana os acordos para envio de ajuda humanitária a Cuba. A informação foi confirmada ao Poder360 pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. A assistência incluirá alimentos e insumos para produção agrícola. Será viabilizada no âmbito da Aliança Global de Combate à Fome e à Pobreza.
“Nessa semana, nós devemos assinar esses acordos para o envio desses recursos para a obtenção de insumos e também de alimentos”, disse o ministro nesta 2ª feira (2.mar.2026). A ação será executada pela ABC (Agência Brasileira de Cooperação), em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O Haiti também será beneficiado.
A declaração confirma e amplia o que o Planalto vinha discutindo internamente. O governo analisava seguir o exemplo do México, que enviou mais de 800 toneladas de suprimentos à ilha, com foco em alimentos e medicamentos, diante da crise no país caribenho.
Cuba enfrenta escassez de energia, alimentos e remédios após um bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos, que interrompeu remessas da Venezuela e do México. Os embargos resultaram em longos apagões, dificuldades no sistema de saúde e falta de combustível.
O combustível para aviação se esgotou, segundo o governo cubano, o que levou ao cancelamento de voos internacionais. A falta de diesel também compromete o transporte marítimo, responsável pela chegada de produtos essenciais.
Os Ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde participam da preparação da iniciativa. O Poder360 apurou no Itamaraty que, além de alimentos, medicamentos devem ser enviados. Embaixadas europeias e latino-americanas procuraram o Ministério das Relações Exteriores para coordenar possíveis ações conjuntas.
O governo avalia canalizar parte da assistência por meio de organismos ligados à Organização das Nações Unidas para reduzir o risco de sanções —modelo adotado por países como a Espanha.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já atuam em Cuba e podem servir de intermediárias. A definição do canal, no entanto, ainda não foi concluída. A prioridade é a via mais rápida.
A eventual ação reforça a cooperação entre Brasil e Cuba. Em 2023 e 2024, o Brasil enviou lotes de alimentos ao país por meio de parceria triangular com os Emirados Árabes Unidos, firmada durante a COP28.
Teixeira defende a cooperação com Cuba em segurança alimentar como parte da agenda de soberania alimentar promovida pelo Brasil na América Latina.
Durante evento pelos 46 anos do PT, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil é “solidário ao povo cubano” e que o partido precisa encontrar “um jeito de ajudar”.
O PT divulgou nota em 31 de janeiro em apoio a Cuba “diante das ameaças” dos EUA. No comunicado, o partido criticou o presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano).
A crise se intensificou após mudanças políticas na Venezuela. Com a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e a posse de uma administração alinhada aos EUA, o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba foi interrompido.
Trump ameaçou aplicar tarifas a países que forneçam combustível à ilha.
México, Rússia e China anunciaram medidas de apoio. A China enviou 60 mil toneladas de arroz e liberou US$ 80 milhões em ajuda emergencial em janeiro.





