• Terça-feira, 7 de abril de 2026

Há tráfego no estreito de Ormuz, diz analista da Citrini Research

Citrini Research afirma em relatório que satélites não estão detectando tráfego real de petroleiros pela rota marítima.

A Citrini Research, empresa norte-americana independente de pesquisa, diz ter enviado um analista à península de Musandam, em Omã, para verificar se o estreito de Ormuz está realmente fechado. O relatório foi publicado no domingo (5.abr.2026) e só está liberado para assinantes da página da empresa na plataforma Substack.

Segundo o relatório, o que o analista afirma ter encontrado vai contra as notícias de que a importante rota petrolífera está efetivamente bloqueada. Ele constatou que as embarcações ainda estão transitando pelo estreito, com o tráfego aumentando nos últimos dias para cerca de 15 navios por dia. Embora muito abaixo dos níveis normais, o fluxo indica que a interrupção é parcial. As informações são da CNBC.

A empresa afirma ter decidido enviar o analista ao local por entender que “a situação no estreito de Ormuz está, no mínimo, confusa”.

Segundo a Citrini Research, o analista tinha a missão de observar em 1ª mão a atividade de navegação com as crescentes tensões entre Irã e Estados Unidos. “Munido de fluência em 4 idiomas, incluindo árabe, uma maleta Pelican repleta de equipamentos, um maço de charutos cubanos, US$ 15.000 em dinheiro e um pacote de Zyn [nicotina], o Analista nº 3 partiu para cumprir o roteiro que havíamos planejado em nossos escritórios em Manhattan na semana anterior”, afirma.

“Quatro ou 5 petroleiros passam por aqui diariamente, completamente sem sinal no AIS [Automatic Identification System]. O volume, segundo eles, é maior do que os dados indicam, e tem aumentado nos últimos 2 dias no canal de Qeshm”, diz a publicação.

O AIS é um sistema de rastreamento de navios que transmite a localização, velocidade, identidade e rota de uma embarcação. A Citrini afirma que o volume real de tráfego marítimo é maior do que os dados divulgados, pois muitos navios desligam seus transponders e ficam invisíveis.

Segundo o relatório, entrevistas feitas pelo analista com pescadores, contrabandistas e autoridades regionais indicam para um sistema no qual o Irã permite seletivamente a passagem de navios. Os petroleiros precisam obter aprovação antes de transitar por águas próximas ao território iraniano, criando o que a empresa descreve como um “posto de controle funcional”, em vez de um bloqueio.

A Citrini diz esperar uma interrupção mais prolongada, que resultará em um prêmio de risco permanente nos mercados de petróleo. Essa visão sustenta a preferência por contratos de petróleo bruto com vencimento mais longo, com a empresa favorecendo os contratos de West Texas Intermediate para dezembro de 2026 em relação aos contratos do mês seguinte.

“Acreditamos que a interrupção será mais longa e que o novo normal envolverá um prêmio de risco permanente, mas que provavelmente veremos até 50% do tráfego pré-conflito nas próximas 4 a 6 semanas”, declara.

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Por: Poder360

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