Avaliação recente da inteligência dos Estados Unidos indica que o Irã ainda preserva parcela relevante de sua capacidade militar, apesar dos bombardeios conduzidos por Washington e por Israel nas últimas 5 semanas. Segundo a CNN, cerca de metade dos lançadores de mísseis do país seguem intactos, enquanto milhares de drones de ataque continuam disponíveis no arsenal iraniano.
Fontes ouvidas pela emissora afirmam que o quadro no terreno é mais complexo do que declarações públicas sugerem. “Eles ainda estão muito bem posicionados para causar devastação em toda a região”, disse uma dessas fontes. Parte dos equipamentos contabilizados pode estar temporariamente inacessível, como sistemas soterrados por ataques, mas não destruídos.
As mesmas avaliações apontam que 50% da capacidade de drones do Irã permanece ativa. Além disso, uma fatia significativa dos mísseis de cruzeiro costeiros —essenciais para ameaçar o tráfego marítimo no estreito de Ormuz— não foi atingida, já que a campanha aérea priorizou outros alvos militares.
Os dados contrastam com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), que disse que a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones foi “drasticamente reduzida” e que restariam “poucos” lançadores. Ainda assim, o CENTCOM (Comando Central norte-americano) informou ter atingido mais de 12.300 alvos no território iraniano desde o início da ofensiva.
Integrantes do governo norte-americano reforçam essa leitura mais otimista. A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, disse que ataques iranianos caíram 90%: “O regime está sendo dizimado militarmente e sua situação piora a cada dia”. Segundo ela, a única saída para Teerã seria negociar e abandonar seu programa nuclear.
O Pentágono também sustenta que houve forte redução da capacidade ofensiva iraniana. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os ataques com mísseis balísticos e drones caíram até 90%. Já o porta-voz Sean Parnell contestou a reportagem da CNN e disse que as forças americanas já infligiram “golpes devastadores” ao Irã.
Mesmo assim, fontes ligadas à inteligência consideram improvável o prazo de duas a 3 semanas mencionado por Trump para encerrar a operação. “Você está fora da realidade se acha que isso termina em duas semanas”, disse uma delas.
Um dos principais desafios é a estrutura subterrânea do Irã. O país mantém há décadas redes de túneis e cavernas usadas para esconder lançadores e equipamentos, o que dificulta sua localização. Plataformas móveis também são deslocadas rapidamente após disparos, complicando o rastreamento.
Apesar das perdas, forças iranianas e aliados regionais continuam realizando ataques regulares com mísseis e drones contra Israel, países do Golfo e tropas dos EUA. A avaliação predominante entre analistas é que, embora enfraquecido, o Irã ainda mantém capacidade relevante de dissuasão e ataque, enquanto os norte-americanos planejam intensificar os ataques nas próximas 3 semanas.





