O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (19.mar.2026) que a América Latina precisa evitar a repetição histórica da exploração de seus recursos naturais.
Durante evento em homenagem ao ex-presidente uruguaio José Alberto “Pepe” Mujica, na Universidade Federal do ABC, Lula citou a importância dos minerais críticos e terras raras, tidos como estratégicos para a indústria tecnológica global, para dizer que países da região devem atuar juntos para preservar suas riquezas.
“Agora se descobriu uma coisa nova, os chamados minerais críticos, as chamadas terras raras, que estão no nosso solo. E agora eles querem nos explorar e fazer a mesma coisa que fizeram com o minério de ferro e com o ouro”, afirmou.
“Durante 500 anos levaram tudo. Nós vendíamos minério a preço de nada e comprávamos produtos industrializados a preço de ouro”, disse Lula.
“Quem vai resolver o problema da América Latina e da América do Sul somos nós”, disse.
Assista ao evento (1h3min15)s:
Lula esteve presente na cerimônia de concessão do título de doutor honoris causa (in memoriam) da Universidade Federal do ABC ao ex-presidente uruguaio José Alberto “Pepe” Mujica, que morreu em 13 de maio de 2025, aos 89 anos, em Montevidéu. A cerimônia foi realizada no Cenforpe (Centro de Formação e Educação Permanente), em São Bernardo do Campo, São Paulo.
Lucía Topolansky, senadora, ex-vice-presidente do Uruguai e ex-mulher de Mujica, também esteve presente na cerimônia. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT) , e o presidente do PT, Edinho Silva, também compareceram.
A universidade homenageia Mujica por sua atuação vinculada à promoção da democracia, diversidade, educação, consciência ética e integração regional.
José Mujica começou na política nos anos 1950 e depois entrou para os Tupamaros, grupo guerrilheiro marxista que lutou contra a ditadura militar do Uruguai (1973-1985). Ficou preso por cerca de 14 anos, parte deles em isolamento. Em seus discursos, dizia que a experiência na prisão moldou sua defesa da democracia, da igualdade e de soluções práticas.
Depois da redemocratização, Mujica foi deputado, senador e ministro antes de ser eleito presidente em 2010. Seu governo aprovou reformas como a legalização do aborto, do casamento igualitário e da maconha. Ficou conhecido pelo estilo simples, doando a maior parte do salário, e virou referência ética na esquerda latino-americana.





