• Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Mestre Ciça, enredo da Viradouro, desfilará no comando da bateria

"Uma coisa inédita em vida. Estou vivendo um momento único. Está sendo muito legal, muito bacana”, disse o homenageado.

Os compositores Nelson Cavaquinho (1911-1986) e Guilherme de Brito (1922-2006) pediram em um samba que homenagens fossem prestadas a eles enquanto ainda estivessem vivos. Samba lançado na 1ª metade da década de 1970 por Nelson Gonçalves, Quando eu me chamar saudade traz o recado: 

“Me dê as flores em vida/ Para aliviar meus ais/ Depois que eu me chamar saudade/ Não preciso de vaidade/ Quero preces e nada mais”.

“Flores em vida” receberá Ciça, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Viradouro, agremiação de Niterói na qual é mestre de bateria e pela qual vai desfilar no Sambódromo, nesta 2ª feira (16.fev.2026), como o grande homenageado do enredo.

O motivo da mesura ao mestre são os 70 anos que Ciça ─ Moacyr da Silva Pinto no registro civil – completará em julho. Ciça é o mais longevo mestre de bateria em atividade.

As baterias das escolas de samba são chamadas de “coração rítmico” da agremiação e de “alma” do desfile, porque conduzem os passistas e mobilizam as arquibancadas. São mestres como Ciça que fazem os arranjos das baterias, ensinam e ensaiam os percussionistas e lideram seus músicos para empolgarem a massa de 120 mil espectadores presentes no Sambódromo. Um ofício para poucos, pois não são muitos os que sabem lidar com o coração e com a alma.

“É uma honra estar sendo homenageado e estar ao mesmo tempo sendo julgado [no desfile de carnaval]. Uma coisa inédita em vida, esse acontecimento. Estou vivendo um momento único. Está sendo muito legal, muito bacana”, disse com emoção Mestre Ciça à Agência Brasil.

O mestre homenageado não desfilará em carro alegórico. Virá no chão, conduzindo a bateria, um dos quesitos avaliados pelos jurados.

Além da Viradouro, Ciça já regeu as baterias da Unidos da Tijuca, Grande Rio, União da Ilha e Estácio de Sá, onde começou em 1988. O mestre, reconhecido pelas bem ensaiadas paradinhas das baterias, liderou a percussão em 2 dos 3 carnavais vencidos pela Viradouro (2020 e 2024) e em um desfile ganho pela Estácio de Sá (1992).

O currículo de Ciça pesou na decisão sobre qual seria o tema da Viradouro de 2026.

“Nós tínhamos algumas possibilidades de enredo que acabaram não vingando, porque uma escola lançou um enredo muito próximo do nosso. E aí o presidente Marcelinho [presidente de honra, Marcelo Calil Petrus] trouxe a possibilidade de fazermos o Mestre Ciça”, afirmou Tarcísio Zanon, carnavalesco da Viradouro.

“Ficamos muito felizes em fazer essa homenagem, de contar a história desse grande sambista, uma história incrível”, elogia Zanon. “A pesquisa foi muito gostosa de fazer [para construir o enredo]. Mestre Ciça é muito acessível, muito próximo da gente.”

A história de Mestre Ciça será contada em 23 alas por até 3.500 componentes. Vão cantar “Se eu for morrer de amor, que seja no samba/ Sou Viradouro, onde a arte o consagrou/ Não esperamos a saudade pra cantar/ Do mestre dos mestres, herdei o tambor”, como diz o refrão do samba-enredo Pra cima, Ciça!, uma reverência assinada por 12 compositores: Claudio Mattos, Renan Gemeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Thiago Meiners, Anderson Lemos e Sandrinho.

1º dia – domingo (15.fev)

2º dia – 2ª feira (16.fev)

3º dia – 3ª feira (17.fev)

Com informações da Agência Brasil.

Por: Poder360

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