• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Planalto reage com cautela ao Conselho de Paz de Trump

Governo Lula prefere ganhar tempo, mantém discussão interna e evita tratar de custos no momento. Leia mais no Poder360.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda evita assumir compromisso com o Conselho da Paz para Gaza, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), na 6ª feira (16.jan.2026). O Poder360 apurou que o convite foi recebido, mas não há prazo definido para uma resposta.

O governo avalia que o momento é de discussões internas e de coleta de informações basilares sobre as finalidades do conselho. Há parcimônia em pontos sensíveis da proposta, como custo financeiro e impacto sobre a atuação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). O tema também é avaliado como politicamente sensível.

O petista se reuniu nesta 2ª feira (19.jan) com o chanceler Mauro Vieira. O encontro havia sido marcado na semana passada, antes do anúncio do convite. A Presidência não informou se o Conselho da Paz foi discutido no despacho nem se já recebeu detalhes sobre cronograma de atuação ou composição final do órgão.

Um dos aspectos delicados do conselho surgiu a partir da agência de notícias Reuters. Conforme a publicação, os países teriam de pagar US$ 1 bilhão para ocupar assento permanente no órgão. A Casa Branca negou a existência da taxa obrigatória, mas o tema segue no radar.

Trump anunciou a criação do Conselho da Paz na 5ª feira (15.jan) e a proposta foi recebida pelo Brasil na 6ª feira (16.jan). O órgão será presidido pelo republicano e terá como atribuições supervisionar o desarmamento do Hamas, coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza e colaborar para o estabelecimento de um governo pós-guerra no enclave palestino.

O comitê executivo fundador inclui o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro do presidente Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Trump convidou mais de 12 países, incluindo Argentina, Paraguai, Turquia, Egito, Canadá e Rússia.

O presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente do Paraguai, Santiago Peña, já aceitaram o convite. Milei afirmou que “é uma honra” integrar o conselho como membro fundador. Peña declarou que o Paraguai assume “com honra a responsabilidade” de trabalhar pela paz na região.

Mesmo sem prazo definido para uma resposta formal, a decisão final caberá ao presidente Lula, que fica em uma posição delicada. Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023, o presidente brasileiro tem adotado posição crítica à ofensiva militar no território e defendido a criação de um Estado palestino. 

Em contraste, sua relação com Trump passou por aproximação nos últimos meses. Depois de um encontro presencial na Malásia, mantiveram conversas telefônicas. Porém, a reaproximação foi abalada pela ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Lula classificou a captura de Nicolás Maduro como uma violação da soberania. Desde então, não há registro público de contato direto entre os 2 presidentes.

A medida de Trump integra a 2ª fase do plano apresentado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito em Gaza. A trégua entre Israel e o Hamas teve início em 10 de outubro de 2025, mas as duas partes seguem trocando acusações de violações do cessar-fogo.

Leia a lista dos nomes de quem foi nomeado para o Conselho da Paz:

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Por: Poder360

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