O preço médio do óleo diesel chegou a R$ 7,26 por litro na semana iniciada no dia 15 de março, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). É o maior valor desde agosto de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou o preço internacional do petróleo e pressionou os valores no Brasil.
A alta atual reflete o avanço do preço do barril de petróleo Brent, que atingiu US$ 112 na 6ª feira (20.mar.2026). A cotação do Brent, referência no mercado de petróleo, é pressionada pela escalada do conflito de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O conflito no Oriente Médio também fez com que a gasolina comum atingisse valor recorde. Chegou a R$ 6,65 por litro, igualando patamar de junho de 2022.
Com a escalada dos conflitos entre o Irã e os Estados Unidos, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã bloqueou a passagem de navios petroleiros no estreito de Ormuz, passagem marítima estreita entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã, por onde é transportado 25% do petróleo exportado no mundo.

A alta no preço dos combustíveis em 2022 só foi contida em junho, com a sanção da Lei Complementar 194/2022, que passou a tratar combustíveis como bens essenciais e limitou a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) às alíquotas gerais dos Estados. Na ocasião, a gasolina havia chegado a R$ 7,39 e o diesel a R$ 7,57 por litro.

O etanol, que ao contrário do diesel e da gasolina não é derivado do petróleo, apresentou variação mais baixa. Ainda assim, o combustível é vendido hoje no mesmo patamar de preço registrado pela última vez em junho de 2022.

O aumento do preço dos combustíveis, sobretudo do óleo diesel, pressiona a inflação no Brasil. O diesel é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, modal que concentra a maior parte da circulação de mercadorias no país.
Quando o diesel sobe, o frete fica mais caro. Isso afeta o transporte de alimentos, medicamentos, combustíveis, produtos industrializados e insumos. O aumento do custo é repassado ao longo da cadeia. Sai das distribuidoras e atacadistas e chega aos supermercados e demais pontos de venda.
Na tentativa de amenizar o impacto dos preços do diesel, o governo federal baixou um pacote de medidas com custo de R$ 30 bilhões para zerar a incidência do PIS/Cofins do combustível, refletindo em um desconto de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, além da criação de um subsídio de mais R$ 0,32 por litro, resultando em uma redução total de R$ 0,64 por litro do combustível.
Lula também pediu que governadores avaliem reduzir o ICMS sobre combustíveis, e anunciou uma taxação de 12% sobre as exportações de petróleo para compensar parte do custo das medidas. As petroleiras cogitam ir à Justiça contra a MP 1.340.

Na 3ª feira (10.mar), a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), ligada ao Ministério da Justiça, enviou ofício ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para apurar aumentos nos preços dos combustíveis em postos de Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
O órgão quer saber se há indícios de prática anticoncorrencial. A suspeita é que distribuidoras elevaram os preços mesmo sem anúncio formal de reajuste pela Petrobras nas refinarias. As altas teriam sido justificadas pela valorização do petróleo no mercado internacional.
Embora a guerra aumente o preço dos combustíveis, este valor nem sempre é repassado ao consumidor brasileiro na mesma medida. Parte do óleo diesel que é consumido no Brasil é refinado pela Petrobras, que tem o governo como seu maior acionista.
Desde maio de 2023, com o fim do PPI (Política de Preços de Paridade Internacional), a petroleira deixou de seguir automaticamente a cotação internacional do petróleo e a variação do câmbio na definição dos preços. Passou a adotar uma estratégia comercial própria.
A Petrobras reajustou em 11,6% o preço do óleo diesel na 6ª feira (13.mar), um dia depois do governo federal anunciar as medidas para baixar o preço.
Esta reportagem tem como co-autor o trainee em Jornalismo do Poder360 Eduardo Perry, sob a supervisão do editor Lucas Fantinatti.





