• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Premiê do Japão fala em "coerção" da China e promete reformular defesa

Sanae Takaichi aborda estratégias de segurança em seu 1º discurso ao Parlamento depois de vitória da coalizão governista.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi (PLD, direita), disse nesta 6ª feira (20.fev.2026) que vai reformular a estratégia de defesa e falou em uma crescente “coerção” da China. Ela ainda prometeu flexibilizar as restrições às exportações militares e fortalecer as cadeias de suprimentos essenciais.

As declarações foram feitas em seu 1º discurso ao Parlamento depois das eleições de 8 de fevereiro, quando a coalizão governista conquistou 352 de 465 assentos na Casa Baixa. As informações são da agência de notícias Reuters.

Os 4 meses de mandato de Takaichi foram marcados por uma disputa diplomática com a China. A controvérsia iniciou quando a primeira-ministra declarou que o Japão poderia usar força militar para responder a qualquer ataque contra Taiwan que também ameaçasse território japonês.

A vitória eleitoral transformou uma maioria frágil em um resultado expressivo para a coalizão governista. Com a nova composição parlamentar, Takaichi enfrenta pouca resistência política para implementar sua agenda.

“O Japão enfrenta seu ambiente de segurança mais grave e complexo desde a 2ª Guerra Mundial”, afirmou Takaichi. A primeira-ministra apontou a ampliação das atividades militares chinesas e os laços de segurança mais estreitos entre China e Rússia como fatores de preocupação. Ela também mencionou a crescente capacidade de mísseis nucleares da Coreia do Norte.

O governo japonês planeja revisar os 3 documentos centrais de segurança do país ainda este ano para produzir uma nova estratégia de defesa. Takaichi anunciou que acelerará a revisão das regras de exportação militar para expandir vendas ao exterior e fortalecer empresas de defesa.

Um comitê político do partido de Takaichi propôs nesta 6ª feira (20.fev) eliminar regras que limitam exportações militares a equipamentos não letais, como coletes à prova de balas, segundo a agência de notícias Kyodo. Essa mudança poderia ampliar significativamente a gama de equipamentos de defesa que empresas japonesas podem vender no exterior.

“A China intensificou suas tentativas de mudar unilateralmente o status quo por meio de força ou coerção no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional”, disse Takaichi aos congressistas.

Takaichi acelerou um programa de expansão militar iniciado em 2023. O plano estabelece dobrar os gastos de defesa do Japão para 2% do PIB (Produto Interno Bruto) até o final de março. A medida transformará o país em um dos maiores gastadores militares do mundo, apesar de sua constituição pacifista.

A premiê também anunciou planos para criar um conselho nacional de inteligência. O objetivo é consolidar informações coletadas por diferentes agências, incluindo a polícia e o ministério da defesa. O Japão não possui serviços de inteligência doméstica ou estrangeira comparáveis à CIA (Agência Central de Inteligência) dos Estados Unidos ou ao MI5 britânico.

Takaichi propôs estabelecer uma versão japonesa do Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos para examinar investimentos estrangeiros em setores sensíveis. Ela afirmou que as regras que regem compras de terras por estrangeiros serão revisadas. Comprometeu-se ainda a reduzir a dependência de “países específicos” por meio do fortalecimento de cadeias de suprimentos. Ela disse que trabalhará com aliados para garantir materiais críticos, incluindo terras raras, ao redor de Minamitori, uma ilha remota no Pacífico.

Takaichi prometeu acelerar a retomada de reatores paralisados desde o desastre da usina nuclear de Fukushima em 2011. “Uma nação que não enfrenta desafios não tem futuro. A política que busca apenas proteger não pode inspirar esperança”, disse ela.

Por: Poder360

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