• Sexta-feira, 10 de abril de 2026

Primeiro clone suíno da América Latina nasce em SP: avanço promete órgãos para humanos

Feito inédito realizado em Piracicaba une tecnologia da USP e do Instituto de Zootecnia para abrir caminho aos transplantes

A ciência brasileira alcançou um marco histórico no último dia 24 de março. Em uma unidade experimental na cidade de Piracicaba, nasceu o primeiro clone suíno da América Latina. O projeto, que coloca o estado de São Paulo na vanguarda da biotecnologia global, é fruto de uma parceria estratégica entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Zootecnia (IZ), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.

O nascimento ocorreu na unidade de Tanquinho, que passou por rigorosas adequações estruturais para atender às exigências de biossegurança, bem-estar animal e controle sanitário exigidos pela legislação para a produção de animais clonados.

O objetivo central da pesquisa não é apenas a reprodução animal, mas sim o avanço do xenotransplante — a técnica de transplantar órgãos e tecidos entre espécies diferentes. A ideia é produzir suínos geneticamente modificados que possuam órgãos compatíveis com o corpo humano.

Essa tecnologia é vista como a solução definitiva para a escassez de órgãos no Sistema Nacional de Transplantes. Atualmente, a fila por transplantes é um dos maiores desafios da saúde pública, e pacientes aguardam anos por uma compatibilidade que nem sempre chega a tempo.

Para que o clone nascesse com saúde, foi mobilizada uma equipe multidisciplinar de zootecnistas, veterinários e biotecnólogos. O processo envolveu protocolos complexos, que incluíram:

“Nosso objetivo agora é acompanhar o crescimento dos clones até a maturidade sexual, fornecendo dados sobre este animal para futuras tomadas de decisões”, explicou Simone Raymundo de Oliveira, pesquisadora do Instituto de Zootecnia.

O Secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, destacou que o sucesso do projeto reforça o papel de São Paulo como hub de inovação. “O trabalho das nossas instituições abre novas fronteiras para a saúde humana, a produção animal e a bioeconomia. É esse investimento em ciência que sustenta a liderança paulista”, afirmou.

A pesquisa continua em pleno vapor. Outras gestações de clones já estão em andamento para ampliar o banco de dados científicos e aprimorar a técnica. Os pesquisadores agora monitoram o desenvolvimento do animal recém-nascido até que ele atinja a fase adulta, coletando informações essenciais para a próxima fase da aplicação tecnológica no campo da medicina.

Por: Redação

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