O ex-presidente Michel Temer (MDB) criticou o que chamou de “ilusionismo” na Esplanada dos Ministérios, ao comentar a repercussão do desfile carnavalesco que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou à à Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O petista assistiu à homenagem no camarote da Prefeitura do Rio.
No enredo, Temer foi retratado como um boneco que toma a faixa presidencial de Dilma Rousseff (PT). O PT interpreta o impeachment de 2016 como um golpe.
Assista ao vídeo (19s):
Temer afirmou que a sátira política faz parte da tradição do carnaval e disse não julgar as escolhas temáticas feitas na avenida, por considerar o samba um espaço de criatividade e fantasia. Em seguida, porém, deslocou a crítica para o cenário econômico e fiscal.
“O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente –e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência”, declarou, citando ações do seu governo.
O ex-presidente também afirmou ser “triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado”, em referência ao programa econômico apresentado durante sua gestão junto a um trocadilho com o que interpreta ser o governo atual.
Leia a íntegra da nota:
“SAUDADES DA TUIUTI
A sátira política é parte da tradição do carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida.
Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí.
O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado.
Olha o Brasil aí… gente!
Michel Temer“.
O processo que levou à saída de Dilma foi aprovado pelo Congresso Nacional e validado pelo Supremo Tribunal Federal em 2016. Temer, que era vice-presidente, assumiu o Planalto em agosto de 2016 e governou até 2018.
Desde então, Temer não voltou a concorrer a nenhum cargo eletivo. Mas ainda circula nos meios políticos e é conselheiro frequente de autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário.





