O reajuste de 55% no preço de revenda da Querosene de Aviação (QAV) anunciado pela Petrobras pode impactar o preço das passagens regionais. A medida foi anunciada pela estatal na última quarta-feira (1º), como resposta ao aumento do preço do barril de petróleo em razão da guerra no Oriente Médio.
Na prática, o preço do QAV é reajustado mensalmente, sempre no dia 1º. Porém, dessa vez a medida ocorre no momento em que o mundo enfrenta uma crise no mercado de combustíveis. Em março, o reajuste médio do querosene havia sido de cerca de 9%, enquanto em fevereiro houve uma queda de 1% no preço de revenda nas distribuidoras.
Segundo Hugo Queiroz, diretor de gestão da L4Capital, a querosene representa cerco de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas. Sem medidas compensatórias, o reajuste poderia levar a um aumento de até 20% no preço das passagens aéreas.
O especialista alerta que empresas como Azul e Gol, após processos de recuperação judicial, estão mais disciplinadas financeiramente e não devem absorver a volatilidade dos preços de combustíveis. “As companhias aéreas, depois desse movimento recente, não vão mais passar ou carregar isso sozinho. Vão distribuir para a população”, disse à CNN Brasil.
Queiroz ainda ressalta que um dos principais efeitos do aumento do QAV seria a redução de rotas, especialmente as regionais, que possuem menor taxa de ocupação. “A parte de rotas regionais tendem a sentir mais se esse efeito acontecer. Então você diminui o ritmo de crescimento que essas empresas estavam trabalhando”, explicou.
Para evitar um impacto muito grande, a Petrobras afirmou que vai parcelar o reajuste de abril. Distribuidoras que atendem à aviação comercial poderão optar por pagar apenas 18% de aumento e parcelar em até seis vezes a diferença, a partir de julho. De acordo com a estatal, a medida visa preservar a demanda e mitigar os eventos no setor de aviação.
“Esse instrumento contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras, considerando o cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio”, justificou a estatal.





