Após completar uma jornada histórica e simbólica ao redor da Lua, os quatro tripulantes da missão Artemis II devem retornar à atmosfera terrestre e realizar a aterrissagem na noite desta sexta-feira (10). O pouso está previsto para ocorrer no Oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia.
“Poderemos celebrar assim que a equipe estiver segura a bordo do navio de resgate”, declarou Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira. Segundo ele, o resgate será o marco definitivo para consolidar a missão como um êxito.
A bordo da cápsula Orion, os americanos Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman, acompanhados pelo canadense Jeremy Hansen, alcançaram a marca de 406 mil milhas de distância da Terra — o ponto mais remoto já atingido pela humanidade. O pouso em San Diego está programado para as 17h07 locais (21h07 no horário de Brasília), encerrando uma expedição de dez dias que, até então, apresenta execução impecável.
Se bem-sucedida, a operação representará a primeira vez que a Nasa envia astronautas ao espaço profundo com sucesso desde o encerramento do programa Apollo, em 1972, superando anos de incertezas e adiamentos.
A segurança da missão depende da integridade do escudo térmico da Orion, projetado para resistir a temperaturas de 2.700°C causadas pelo atrito atmosférico. O piloto Victor Glover descreveu a reentrada como uma "bola de fogo", admitindo sentir apreensão sobre este estágio crítico.
O nervosismo das autoridades é fundamentado: embora a Orion tenha sido testada sem tripulação em 2022, um relatório técnico apontou que o escudo sofreu danos inesperados na ocasião. Para mitigar o risco, a Nasa optou por uma trajetória de entrada mais direta, alterando a manobra de "salto" para reduzir o estresse térmico sobre o componente.
O processo de descida levará cerca de 13 minutos, incluindo seis minutos de "apagão" total de comunicações enquanto a cápsula cruza a atmosfera a 38.000 km/h, antes de ser freada por paraquedas.
A Artemis II atua como um voo de validação. O objetivo central é certificar que os sistemas da agência estão aptos para levar humanos de volta à superfície lunar, visando a construção de uma base fixa e a futura exploração de Marte.
A meta atual da Nasa é realizar o primeiro pouso lunar tripulado em 2028, antecipando-se ao cronograma da China, previsto para 2030. Contudo, analistas apontam possíveis novos atrasos, uma vez que os módulos de pouso — desenvolvidos pelas empresas de Elon Musk (SpaceX) e Jeff Bezos (Blue Origin) — seguem em fase de aprimoramento.
Além dos avanços científicos e dos bilhões de dólares investidos, a missão busca resgatar o entusiasmo público pela exploração espacial. Como sintetizou o comandante Reid Wiseman, a expectativa é que o feito permita que o mundo "faça uma pausa, ainda que por um breve instante".
*Com informações da AFP





