Pouco antes de Israel anunciar que buscaria negociações para um cessar-fogo com o Líbano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma ligação telefônica "tensa" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na quinta-feira (9). A informação foi divulgada pela CNN, citando fontes norte-americanas e israelenses.
Os líderes tiverem, pelo menos, três conversas nesta semana em que o Líbano foi o tema central. Na ligação de quinta, Netanyahu entendeu que, se não solicitasse negociações diretas com o país do Oriente Médio, Trump poderia simplesmente declarar um cessar-fogo, disse a fonte israelense à CNN.
Durante a primeira ligação, na terça (7), Netanyahu e Trump conversaram antes do norte-americano anunciar um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Ainda segundo a fonte israelense, que não foi identificada, o premiê israelense pressionou o republicano para que o Líbano ficasse de fora do acordo de cessar-fogo.
Os dois conversaram um dia depois, na quarta (8), quando Trump pediu a Netanyahu que reduzisse os ataques contra o grupo Hezbollah, após ofensivas israelenses terem matado 303 pessoas na data, de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano.
A terceira ligação, na quinta-feira (9), aconteceu pouco antes do premiê de Israel anunciar sobre negociações diretas para uma trégua com o Líbano.
O gabinete de Netanyahu apontou que, na verdade, a conversa entre o líder e Trump foi "amigável". "Os dois líderes estão trabalhando em plena coordenação e com respeito mútuo", declarou o gabinete.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou, na terça-feira (7) em suspender os ataques ao Irã por duas semanas após analisar proposta de cessar-fogo intermediada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. A informação foi divulgada pelo republicado na Truth Social. Trump havia dado um ultimato ao Irã, ao ameaçar "destruir uma civilização inteira" caso o país não abrisse o Estreito de Ormuz até as 21h de terça no horário de Brasília.
"Este será um cessar-fogo bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado", escreveu Trump.
Ao lado do Egito, Turquia e Arábia Saudita, o Paquistão tem atuado como mediador na tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio. Conforme Sharif, os esforços diplomáticos avançam de forma “constante, firme e eficaz”, com potencial para resultados concretos no curto prazo.
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".





