• Sábado, 11 de abril de 2026

Homem é indiciado por manter filho sequestrado em van por mais de um ano

Ministério Público ressaltou, porém, que não há qualquer evidência médica de problemas psiquiátricos no menor

As autoridades francesas indiciaram um homem de 43 anos por manter o próprio filho, de nove anos, em cárcere privado dentro de uma van por mais de um ano. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (10) pelo Ministério Público, após a criança ter sido resgatada na última segunda-feira em condições desumanas na pequena localidade de Hagenbach, no noroeste da França.

O menino foi encontrado por militares nu, desnutrido e cercado por lixo e excrementos após uma moradora alertar sobre ruídos vindos do veículo estacionado em um pátio privado.

De acordo com o promotor de Mulhouse, Nicolas Heitz, a vítima estava em posição fetal e apresentava extrema palidez. Devido ao longo período de confinamento em uma posição sentada, o menino já não conseguia mais andar e precisou de atendimento hospitalar imediato.

Em depoimento, a criança revelou que o pai a trancou no veículo para evitar que fosse internada em um hospital psiquiátrico, uma exigência da companheira do pai, que não queria o enteado no apartamento da família. O Ministério Público ressaltou, porém, que não há qualquer evidência médica de problemas psiquiátricos no menor.

As investigações apontam que o menino estava privado de cuidados básicos e de higiene desde novembro de 2024, tendo tomado banho pela última vez no final daquele ano. Ele era forçado a urinar em garrafas plásticas e utilizar sacos de lixo para suas necessidades fisiológicas.

Embora o pai vivesse no apartamento vizinho com a companheira e duas meninas, de 10 e 12 anos, ele alegou ter mantido o filho no veículo para "protegê-lo" da mulher. O acusado afirmou ainda que permitiu que o filho saísse brevemente em maio de 2025 e tivesse acesso à casa apenas quando o restante da família viajou de férias.

O desaparecimento da criança passou despercebido pelas instituições educacionais após a família informar, no ano letivo de 2023-2024, que o menino passaria a ser escolarizado de outra forma, o que levou ao arquivamento de seu prontuário na escola de Mulhouse.

O pai encontra-se agora em prisão preventiva, enquanto sua companheira, de 37 anos, também enfrenta acusações por omissão de denúncia de maus-tratos e privação. Embora ela negue conhecimento da situação, o Ministério Público mantém a investigação sobre sua conduta. As autoridades assumiram a custódia provisória das três crianças da família.

Por: Redação

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