A CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse nesta 6ª feira (20.fev.2026) que a derrubada do tarifaço de 50% resulta em uma isenção de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras. A entidade afirma se basear em dados de 2024 da USITC (Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos).
Mais cedo Suprema Corte dos EUA decidiu que tarifas globais do presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), são ilegais. Foram 6 votos a 3.
Mesmo com a derrubada, a CNI falou em “cautela”. O presidente da confederação, Ricardo Alban, afirmou que seguirá acompanhando os desdobramentos para avaliar de forma mais precisa os impactos para o Brasil.
“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, declarou. Leia a íntegra (PDF – 395 kB) da nota.
As tarifas definidas por Trump entraram em vigor em 6 de agosto. O presidente norte-americano determinou uma alíquota de 50% sobre os produtos brasileiros: uma taxa geral de 10%, acrescida de uma cobrança adicional de 40%.
Após a queda do tarifaço, o presidente interino e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos “abriu a avenida” para o comércio exterior. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), também comemorou a decisão e se mostrou otimista.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) mencionou que o “cenário exige cautela”. Em comunicado, a entidade reconheceu que a medida favorece os exportadores brasileiros, mas citou o anúncio feito nesta 6ª feira (20.fev) por Trump ao impor uma taxa global de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que abre espaço para tarifas temporárias.
O Brasil também é alvo de uma investigação comercial dos EUA levando em consideração a Seção 301 da lei norte-americana para apurar possíveis práticas comerciais desleais.
“O Brasil é um dos poucos países do mundo que já estão em investigação desde julho de 2025. Com isso, os produtos brasileiros poderão ser atingidos por novas sobretaxas muito antes de nossos concorrentes internacionais, cujos processos de investigação se iniciarão a partir dos anúncios de hoje”, afirma a Fiesp em nota (íntegra – PDF – 84 kB).
Há a manutenção de taxa específica a alguns setores, como aço e alumínio, por meio da Seção 232. “A Fiesp manterá vigilância rigorosa sobre os desdobramentos destas decisões, reiterando a diplomacia empresarial como o caminho mais eficaz para superar entraves e fortalecer a relação comercial com os Estados Unidos”, conclui.
A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) disse nesta 6ª feira (20.fev) observar “com atenção” tanto a decisão da Suprema Corte dos EUA quanto o anúncio de Trump da nova tarifa global de 10%, além das investigações comerciais. A federação enfatiza que o país norte-americano é o principal parceiro do Estado quanto a bens manufaturados.
Leia a nota na íntegra:
“A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) observa com atenção os desenvolvimentos recentes da decisão da Suprema Corte dos EUA, bem como o anúncio do presidente Donald Trump nas últimas horas. Neste momento, o principal ponto de atenção será a análise detalhada sobre os prazos para a retirada das tarifas de 40% e 10% sobre produtos brasileiros e a substituição pela nova tarifa global de 10% anunciada hoje. Também seguem como ponto de atenção, as possíveis investigações anunciadas.
“A Firjan reitera a importância da atuação do setor privado ao longo deste processo e do contínuo diálogo com o setor público e representantes americanos em busca de uma solução negociada. Os EUA são o principal parceiro comercial do estado do Rio no comércio de bens manufaturados. Este relacionamento é estratégico para a indústria fluminense, no entanto, é fundamental que seja pautado pela previsibilidade e segurança jurídica no ambiente de negócios de ambos os países.”
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